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Centenas de pessoas protestaram contra a exploração de gás na Bajouca

Mais de quatrocentos pessoas manifestaram-se pela justiça climática e contra a prospeção e exploração de gás na Bajouca, concelho de Leiria. Alguns dos manifestantes invadiram o terreno concessionado à Australis, plantaram dezenas de árvores e vincaram que não vai haver furo.
Manifestação contra a exploração de gás na Bajouca - Foto Mídia Ninja
Manifestação contra a exploração de gás na Bajouca - Foto Mídia Ninja

Em comunicado, o Climaximo estima em quatrocentas pessoas o número de pessoas presentes no protesto pacífico contra a exploração de gás na Bajouca, entre ativistas que estiveram no Camp-in-Gás e habitantes locais.

Os manifestantes marcharam ao ritmo de samba com faixas com frases contra os furos e apelando à justiça climática e desfilaram desde a Associação Bajouquense para o Desenvolvimento até ao terreno onde a petrolífera Australis Oil & Gas quer fazer um dos furos para prospeção e exploração de gás.

Cerca de 120 ativistas entraram no terreno da Australis e, “numa ação de desobediência civil não violenta”, plantaram setenta árvores – Foto Mídia Ninja
Cerca de 120 ativistas entraram no terreno da Australis e plantaram setenta árvores – Foto Mídia Ninja

Segundo o Climaximo, cerca de 120 ativistas entraram no terreno da Australis e, “numa ação de desobediência civil não violenta”, plantaram setenta árvores, ergueram bandeiras e exigiram “Justiça Climática Já!”.

“Estamos aqui para dizer aos bajouquenses e ao mundo que a nossa luta é de todos, que voltaremos se a Australis tentar fazer o furo e não vamos, de maneira alguma permiti-lo. Vamos cortar estradas, invadir o terreno, parar as máquinas”, declarou João Costa da organização do Camp-in-Gás.

“As ações dentro do terreno foram decididas em plenário de delegados dos ativistas, num processo democrático e participativo” - Foto Mídia Ninja
“As ações dentro do terreno foram decididas em plenário de delegados dos ativistas, num processo democrático e participativo” - Foto Mídia Ninja

Sinan Eden, ativista do Climáximo, explicou: “As ações dentro do terreno foram decididas em plenário de delegados dos ativistas, num processo democrático e participativo. Tanto a proposta de plantar árvores como a proposta de artivismo obtiveram consenso. Temos o compromisso de pelo menos seis pessoas da Bajouca de virem regar e cuidar desta pequena floresta incipiente que aqui criámos hoje.”

Segundo a agência Lusa, algumas das palavras de ordem mais gritadas foram: “Australis, aqui não vais furar” ou “Não ao furo, sim ao futuro”.

João Domingues, um habitante da Bajouca, declarou à Lusa: “Agora que se fala tanto em ambiente e no aquecimento global, não se percebe por que é que o ministro do Ambiente fica calado perante isto. As pessoas não querem esta exploração. Temos de defender o nosso futuro. Querem acabar com os combustíveis fósseis e vêm aqui fazer exploração de gás”.

Outro manifestante lamentou que o Governo tenha “assinado contratos sem ouvir a população da Bajouca” e criticou: “não há qualquer mais-valia. Até o dinheiro que irão fazer será levado daqui. Nós continuaremos a ser pobres e a enriquecer empresas que levarão o lucro para paraísos fiscais”.

“Esta foi a primeira ação directa não violenta em massa que se levou a cabo pela justiça climática em Portugal, mas seguramente não será a única”, declarou também Sinan Eden, ativista do Climáximo, acrescentando: “se os governos e decisores não são capazes de tomar as decisões certas para a proteção da vida das pessoas e dos ecossistemas, os cidadãos organizam-se e tomam as medidas ao seu alcance. Existem dezenas de organizações ibéricas, europeias e mundiais que assumiram a missão de escalar protestos e acções de desobediência civil; por exemplo, 2020 Rebelión por el Clima e By 2020 We Rise Up, alianças de que o Climáximo faz parte.”

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