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Borges não é do governo, diz CDS

Deputado do segundo partido da coligação do governo distancia-se do plano de privatização anunciado quinta-feira para a RTP e recorda que “António Borges não é responsável político por qualquer processo, porque não é membro do governo”.
João Almeida disse esperar que o Executivo “ultrapasse as declarações de António Borges e reponha o processo no seu curso normal”.

O deputado João Almeida, do CDS, criticou o facto de ter sido o consultor António Borges a anunciar o novo planos de privatização da RTP que está a ser preparados pelo governo.

“Não só não devia ter sido António Borges a dizer o que disse, como aquilo que disse António Borges não parece a melhor forma de começar um processo de privatizações”, afirmou, apontando que “qualquer solução para a RTP deve ser discutida de uma forma serena e deve ser apresentada naturalmente por quem tem responsabilidade para a apresentar essa solução”.

O deputado lembrou que “António Borges não é responsável político por qualquer processo porque não é membro do governo”, e disse esperar que o Executivo “ultrapasse as declarações de António Borges e reponha o processo no seu curso normal”.

Ligeireza

Por seu lado, o deputado Raul Almeida, também do CDS, criticou a "ligeireza" com que Borges abordou o futuro dos trabalhadores da empresa, que pode passar pelo despedimento.

"Os trabalhadores da RTP são um ativo, não são um passivo, são na sua maioria quadros qualificados, pessoas com mais-valia para o ramo, e não se pode simplesmente chegar a uma entrevista e dizer que passam como um passivo para um qualquer concessionário", disse à Lusa o deputado centrista Raul Almeida.

O deputado sublinhou que "é uma maneira de estar que não é a do CDS-PP" admitir que os trabalhadores "poderão ser despedidos ou ter um futuro incerto e que a incerteza desse futuro não seja motivo da menor preocupação".

Recorde-se que recentemente a Comissão de Trabalhadores da RTP dirigiu ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, uma carta aberta pedindo que “se pronuncie claramente” sobre o desmantelamento a que está a ser submetida a televisão pública, recordando as tomadas de posição do líder do CDS em 2002 contra a privatização da RTP, “mais recentemente confirmadas pelo grupo parlamentar do CDS-PP”. Para a CT, tal “lastro político, no melhor sentido, coaduna-se mal com um cheque em branco à ordem do dr. Miguel Relvas”.

Gabinete de Relvas diz que é interessante

Entretanto, já esta sexta-feira, o gabinete do ministro-adjunto Miguel Relvas, que tem a tutela da RTP, considerou que o modelo defendido por António Borges para a privatização da RTP é "uma das hipóteses", mas é "bom modelo", porque “cumpre os objetivos do governo". O ministro, porém, manteve o silêncio.

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