Está aqui

Catedral de Notre-Dame consumida por violento incêndio

Centenas de bombeiros combatem o incêndio que consome um dos monumentos históricos e religiosos mais visitados da Europa.
Imagem do incêndio que devastou a catedral de Notre-Dame. Imagem da Euronews.

O incêndio deflagrou ao fim da tarde desta segunda-feira, teve início no sótão da catedral e rapidamente alastrou à torre central, que sucumbiu e colocou o teto em risco de colapso. Os investigadores dizem que ainda é cedo para determinar a causa da ignição, mas a imprensa francesa aponta a probabilidade de essa causa estar relacionada das obras de renovação em curso. Duas horas após o início do incêndio, não havia registo de feridos a lamentar.

As obras tiveram início no ano passado e deviam prolongar-se por mais dez anos, num investimento de 150 milhões de euros por parte do Estado e com a associação de Amigos de Notre-Dame a promover uma recolha de fundos que já recolheu quase quatro milhões.

O presidente recém-eleito da Conferência dos Bispos de França afirmou ter ficado “comovido ao ver a emoção do mundo cristão mas não só, de toda a gente” em reação a este incêndio que devasta a catedral construída a partir da segunda metade do século XII. Eric de Moulins-Beaufort diz que a queda do pináculo da catedral “tem um significado simbólico considerável, pois representa um dedo estendido a Deus, um pára-raios que traz a nós a graça de Deus”.  

Veja em direto: Incêndio descontrolado na Catedral de Notre-Dame de Paris

Ao local acorreram de imediato responsáveis políticos nacionais e locais, como o presidente Emmanuel Macron, que cancelou o discurso ao país agendado para a noite de segunda-feira. No Twitter, o presidente francês afirmou estar “triste por ver uma parte de nós a arder”. A presidente da Câmara de Paris disse não encontrar “palavras suficientemente fortes para exprimir a dor que sinto. Esta noite, todos os parisientes e franceses choram este emblema da nossa História comum. Do nosso lema tiraremos as formas para nos erguermos. Fluctuat nec mergitur [Sacudida pelas ondas, não se afunda]”.

As reações de solidariedade e pesar pelo incêndio desta catedral gótica e património mundial da UNESCO vieram de todo o mundo. A mais descabida coube ao presidente norte-americano Donald Trump, que apelou à reação rápida por parte de meios aéreos equipados com tanques de água. Os responsáveis da segurança civil francesa afirmaram que esse cenário nunca esteve em cima da mesa, pois significaria a destruição total do edifício com o peso da água, preferindo a ação no interior da catedral.

De Portugal, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa enviou uma mensagem ao homólogo francês com um “abraço sentido” a lamentar “um símbolo maior do imaginário coletivo a arder, uma tragédia francesa, europeia e mundial”. O primeiro-ministro António Costa também transmitiu a solidariedade do governo com o presidente francês e a edil de Paris e afirmou que “é um pouco da nossa história da Europa que desaparece sob as chamas”. A coordenadora do Bloco de Esquerda também reagiu às “imagens terríveis” do incêndio. “Notre-Dame é arte e memória que nos toca a todos”, afirmou Catarina Martins, exprimindo “toda a solidariedade com quem combate o fogo e com os franceses”.

Termos relacionados Cultura
(...)