Fórum Socialismo 2024

Catarina acusa Rangel de garantir transporte de armas “a preço de saldo” para Israel

30 de agosto 2024 - 22:48

A sessão “Palestina Vencerá” abriu o Fórum Socialismo em Braga. Catarina Martins exigiu a retirada da bandeira portuguesa ao navio que transporta explosivos para o arsenal israelita. A eurodeputada do Podemos, Irene Montero, exigiu o corte de relações comerciais entre a UE e Israel.

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Catarina Martins
Catarina Martins na abertura do Fórum Socialismo 2024. Foto Esquerda.net

Na sessão de abertura do Fórum Socialismo 2024 em Braga (ver programa), Catarina Martins começou por prestar homenagem aos militares da GNR que esta sexta-feira morreram vítimas de um acidente no helicóptero que os transportava durante uma operação de combate aos incêndios.

Intitulada “Palestina Vencerá”, a sessão de abertura do evento que marca anualmente a rentrée política bloquista serviu para a eurodeputada sublinhar o que se passa na Palestina é “o mais marcante acontecimento humanitário e político dos nossos dias” e que “chegou a um ponto que gostaríamos todos de pensar impossível”, com os ataques israelitas a alastrarem-se agora também a Cisjordânia.

“Este horror tem um nome e, nesta sala, não temos medo de o dizer: genocídio, é isso que Israel está a fazer contra o povo da Palestina”, prosseguiu Catarina Martins, contrapondo a resistência que se faz ouvir “mesmo em Israel onde se sucedem as manifestações pela paz e as famílias dos reféns pedem um cessar-fogo”.

O “cinismo internacional” em torno dos massacres também foi focado na intervenção da eurodeputada do Bloco, insistindo que “Israel está a levar a cabo um genocídio, investigado pelo Tribunal de Justiça Internacional” e “o próprio exército israelita difunde a nível global imagens de massacre e de celebração do massacre”, ante a passividade dos governos europeus. “Não há uma sanção, um embargo efetivo. Isto é novo e profundamente errado e perigoso”, avisou.  

E nesta matéria o governo português tem responsabilidades, ao manter “a posição hipócrita de afirmar a necessidade da solução dos dois Estados, mas reconhece apenas um”. Outro exemplo recente é o do navio com bandeira portuguesa que transporta explosivos para Israel. Mas “quando questionado, o ministro Paulo Rangel respondeu que o barco não é português. Só tem bandeira portuguesa”, graças ao registo no offshore da Madeira que lhe garante menos impostos.

Catarina Martins
Catarina Martins na abertura do Fórum Socialismo 2024. Foto Esquerda.net

“Portugal está a garantir preço de saldo no transporte de armas para Israel e Paulo Rangel acha muito bem. Quero dizer-lhe: não em nosso nome. O que se exige para travar o genocídio não são boas intenções, é ação. E essa ação começa por retirar imediatamente a bandeira portuguesa ao navio que transporta explosivos para Israel”, defendeu Catarina. O Bloco lançou esta semana uma petição pública com essa exigência.

A eurodeputada bloquista considerou ainda “insustentável” o acordo de associação que a União Europeia mantém com Israel e elogiou a “coragem” das vozes portuguesas em altos cargos na ONU, como as de António Guterres e Jorge Moreira da Silva, sublinhando o “triste papel [que] faz Paulo Rangel quando comparado com o seu companheiro de partido”.

No dia em que passam 25 anos do referendo à independência de Timor-Leste, Catarina recordou que o caminho dos timorenses para a libertação também parecia impossível “e teve a oposição umas vezes, a indiferença outras, da opinião pública internacional”. Foi a solidariedade, nomeadamente nas ruas de Portugal, que “quebrou o muro de silêncio e deu força à luta dos timorenses” e é essa solidariedade “que agora também convocamos, pela autodeterminação da Palestina”, concluiu, convidando os presentes a saírem da sessão de abertura do Socialismo rumo à vigília de solidariedade com a Palestina que se realiza todas as sextas-feiras em Braga.

Irene Montero: “Não fazer nada é ser cúmplice do genocídio”

Irene Montero, eurodeputada do Podemos, também participou nesta sessão de abertura e destacou que para além do massacre em Gaza há também uma ofensiva na Cisjordânia que se soma à violência dos colonos dos últimos anos.

Irene Montero
Irene Montero na abertura do Fórum Socialismo 2024. Foto Esquerda.net

“Não podemos permanecer em silêncio, porque não fazer nada é ser cúmplice do genocídio”, prosseguiu Irene Montero, acusando os EUA e a Europa de serem cúmplices e prestarem apoio direto a Israel. E deu o exemplo do governo espanhol, que “passa por ser um dos governos que mais faz para acabar o genocídio e é hoje um país de trânsito de armas que acabam por ser usadas para matar milhares de palestinianos”, acusou a eurodeputada do Podemos, repetindo a exigência aos governos europeus para cortarem relações comerciais com Israel.

“Este é um momento importante para fazer crescer na Europa as forças da paz e do feminismo”, prosseguiu Irene Montero, concluindo que são essas forças que farão frente ao “consenso da guerra” e ao neoliberalismo “que estende a passadeira vermelha à extrema-direita”.