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Catarina acusa bloco central de querer entregar "negócio milionário" à Vinci no Montijo

No início do Roteiro pela Justiça Climática em Braga, a coordenadora do Bloco diz que a construção do aeroporto no Montijo só beneficia a concessionária que no fim do contrato "vai-se embora e nos deixa com um aeroporto inundado e um desastre ecológico".
Roteiro pela Justiça Climática em Braga. Foto Esquerda.net

A defesa dos transportes públicos foi o tema da ação de rua em Braga na manhã de sábado, a marcar o início do segundo dia do Roteiro pela Justica Climática no Minho. E durante a inauguração simbólica de uma paragem de autocarro houve lugar a algumas intervenções, com o deputado municipal António Lima a descrever o propósito desta iniciativa que coloca a justiça climática na agenda política: "Esta é uma luta de todos, dos mais velhos para corrigir erros que cometeram e dos mais novos pelo seu futuro, por qualidade de vida e por dignidade".

A coordenadora bloquista não deixou escapar a oportunidade de falar do tema que agitou a política nacional dos últimos dias, para concluir que "ainda ninguém percebeu a trapalhada no Governo, mas já toda a gente percebeu que o que António Costa quer é um acordo com o PSD para o aeroporto". E considerou que é "uma absoluta vergonha o jogo de interesses entre PS e PSD que entrega um negócio milionário à Vinci, a mesma empresa a que entregaram os aeroportos do nosso país".

"O acordo de bloco central entre Costa e Montenegro é fazer um aeroporto no Montijo que há-de dar dar muito dinheiro à Vinci mas vai matar muitas espécies e atacar todo um ecossistema, ao mesmo tempo que se gasta dinheiro num aeroporto que os cientistas já disseram que vai ficar inundado em poucos anos com a subida do nível das águas", prosseguiu Catarina Martins. Para a coordenadora bloquista, "isto não é fazer decisões estruturais, isto é ser estruturalmente contra a economia portuguesa. É gastar dinheiro e fazer investimentos que servem uma multinacional estrangeira que está cá uns anos a explorar os nossos aeroportos e depois vai-se embora e nos deixa com um aeroporto inundado e um desastre ecológico". Do que o país precisa, concluiu, é de "uma planificação ecológica que pense os transportes e a transição energética de uma forma que não paguemos tanto para os lucros de uns poucos e ao mesmo tempo possamos proteger o ambiente".

Voltando ao tema dos transportes públicos como aposta no combate às alterações climáticas, Catarina defendeu que cada vez mais é preciso falar de justiça climática porque "os que acham que é bom termos uma economia baseada em petróleo e gás e que não mudam nada são exatamente os mesmos que ganham com todas as outras crises". Por exemplo, "enquanto as pessoas que aqui vivem e trabalham desesperam para encher o depósito do carro porque o combustível está tão caro, a Galp teve lucros cinco vezes maiores. E enquanto a conta da luz impede tanta gente de ter conforto em sua casa, a EDP numa única noite no mês passado fez mais de meio milhão de euros em lucros", apontou.

"Pontevedra é uma referência internacional na transformação urbana, por acreditar que é possível fazê-lo"

"É importante que o país se una para dizer que não podemos mais ter esta energia e esta forma de mobilidade que não só empobrece quem trabalha e enriquece uma elite como está a matar o planeta e a pôr a nossa vida em causa", continuou Catarina, dando como um bom exemplo dessa resposta necessária o que está a ser feito na cidade galega de Pontevedra, "onde não há carros e as pessoas não se queixam porque as alternativas de mobilidade são muito boas e toda a gente tem aquilo de que necessita: aumentou o comércio local, melhorou a qualidade de vida e acabaram os acidentes rodoviários em que morrem pessoas".

Por outro lado, defendeu que os transportes coletivos não podem ser só para as áreas metropolitanas e são um direito de todo o país. "Aqui no distrito de Braga, com tanta população jovem, há esta vergonha de ser tão difícil circular entre os vários concelhos", apontou.

Antes da coordenadora do Bloco de Esquerda tinha falado Carme da Silva, dirigente do Bloco Nacionalista galego que integra o executivo municipal de Pontevedra, que sublinhou que "só acreditando nos projetos políticos transformadores é possível outro planeta e fazer as coisas de outra maneira". Projetos que "respeitem a justiça social, a igualdade e o feminismo", uma vez que "este sistema foi pensado por homens para o seu êxito e sem feminismo não haverá mudança na emergência climática".

"Pontevedra é uma referência internacional na transformação urbana, por acreditar que é possível fazê-lo", prosseguiu Carme da Silva. Além de defender o reforço das ligações entre Galiza e Portugal, em particular no caminho de ferro, a autarca deixou "uma mensagem de esperança de que é possível transformar e há que acreditar na sociedade porque o futuro depende de nós".

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