Carta aberta ao Governo exige apoio excecional a pais em teletrabalho

17 de fevereiro 2021 - 10:53

Sindicato dos Trabalhadores de Call Center acusa Governo de desresponsabilização. STCC dá conta de situações “dramáticas” provocadas pela “falta de empatia e falta de vontade política” do Governo.

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Foto de Daquella manera/flickr.

Na missiva enviada ao Primeiro Ministro e à Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, o Sindicato dos Trabalhadores de Call Center (STCC) refere que “os pais e mães em teletrabalho continuam a fazer uma ginástica insustentável nas suas vidas para trabalhar e cuidar dos seus filhos”.

“Se para qualquer trabalhador/a é extremamente difícil estar nesta situação, para aqueles e aquelas que trabalham na realidade do sector de call center, tal torna-se impossível”, aponta a estrutura sindical.

O Sindicato alerta que “é por demais evidente que está comprometido o princípio fundamental da conciliação entre vida profissional e vida familiar e que está aqui criada uma desigualdade, pois o que está a ser exigido a quem está em teletrabalho leva a uma situação insuportável de manter”. E assinala que “é necessário que o Governo forneça as condições para que o confinamento, que neste momento é necessário, seja feito sem comprometer os rendimentos familiares, nem a saúde física e mental de quem trabalha, nem os cuidados de que as crianças em casa precisam e merecem”.

Ao STCC têm chegado “vários testemunhos que demonstram o ponto de ruptura a que a situação está a chegar”.

“Estar em teletrabalho não pode ser um motivo impeditivo de prestar assistência aos filhos, mas neste momento é essa a realidade, neste momento os filhos de quem está em teletrabalho são verdadeiros órfãos de pais presentes. O que assistimos nesta situação é a uma total desresponsabilização do Governo”, acusa o Sindidato.

O STCC exige ao Governo “que as regras de apoio à família se apliquem igualmente a quem está em teletrabalho e que os apoios sejam de 100% do rendimento para todos, pois vivemos num país de baixos salários e à beira de uma crise social que se soma à crise pandémica”.

Sobre esta matéria, a estrutura sindical lembra o parecer da CITE (Comissão para a Igualdade no Trabalho e Emprego) sobre a conciliação do teletrabalho, com filhos menores de 12 anos ou com deficiência, bem como o recente parecer da Provedora de Justiça na semana passada, que colocam o executivo “em face dum incumprimento perante todos aqueles e aquelas para quem têm a responsabilidade de governar”.

À carta aberta enviada ao Primeiro Ministro e à Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, o STCC anexou dezenas de depoimentos que este sindicato tem recebido nos últimos dias, “principalmente de mães, trabalhadoras de call center que descrevem na primeira pessoa as situações, algumas delas dramáticas” que a “falta de empatia e falta de vontade política” do Governo “está a ter como consequência”.