Este sábado, reuniu a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda por vídeoconferência, que aprovou uma resolução sobre as eleições presidenciais e o atual momento político.
Na apresentação das conclusões, Catarina Martins anunciou que o Bloco vai propor a apreciação parlamentar do decreto-lei das últimas medidas de emergência, para reforçar os apoios sociais.
Num momento em que se admite o prolongamento do encerramento de todas as escolas e o prolongamento do ensino à distância, “não é possível pedir às famílias que fiquem em casa quando isso sujeita um adulto ao corte de um terço do seu salário”, salientou a coordenadora bloquista e apresentou duas propostas para as famílias:
- às mães e aos pais que não possam ir trabalhar para cuidar de filhos/as até aos 12 anos, “o apoio tem que ser a 100%”;
- a quem está em teletrabalho dar a opção de poder ficar a cuidar de filhos/as (em idade até aos 12 anos), tendo também apoio a 100%.
Catarina Martins falou também da necessidade de apoio às escolas, pois “têm que ser criadas condições de igualdade a todas as crianças e jovens”.
A coordenadora bloquista criticou ainda a execução orçamental de 2020.
“Sabemos hoje que o défice ficou abaixo do que estava previsto e que o governo decidiu executar menos 3.500 milhões de euros, do que tinha ficado previsto entre orçamento do Estado e orçamento suplementar”, referiu e criticou: “esta opção é errada e significou menos apoios ao SNS, à economia e menos apoios sociais, gerando menos condições para respeitar o confinamento que lhes é pedido”.
Resolução da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda – 30 de janeiro de 2021
Sobre as eleições presidenciais, Catarina Martins salientou que votaram menos meio milhão de pessoas do que tinham votado há cinco anos, que “à direita houve candidatos que foram capazes de retirar a Marcelo Rebelo de Sousa meio milhão de votos, mas por outro lado, à esquerda a soma das candidaturas de Ana Gomes, Marisa Matias e João Ferreira soma menos 700 mil votos do que somaram estes campos políticos há cinco anos”.
“Conclusão a tirar, num cenário de pandemia, de incerteza sobre a situação do país e num cenário de reconfiguração da direita, a vitória à primeira volta de Marcelo Rebelo de Sousa conta e muito com os votos da esquerda”, afirmou Catarina Martins.
Na resolução, a mesa saúda a disponibilidade e empenho de Marisa Marias, salientando que “protagonizou uma campanha corajosa e certeira nas suas causas, cujos resultados ficaram longe do impacto real da candidatura e dos seus objetivos”.
A resolução saúda também a aprovação pelo parlamento da despenalização da morte assistida, destacando que “um amplo movimento de unidade pela tolerância e pelo respeito dos direitos de cada um soube triunfar no parlamento e, mais que isso, ganhar a grande maioria da sociedade portuguesa para esta causa”. E, salienta que “o papel do João Semedo foi fundamental” e “a sua luta exemplar é um desafio para todas as lutas em que o Bloco se empenha”.