O Sindicato dos Trabalhadores de Call-Center (CTCC) alerta que é “impossível” fazer este tipo de trabalho com crianças em casa, e exige por isso que o apoios à família se aplique aos pais deste setor em teletrabalho, com 100% do rendimento.
Em conferência de imprensa, o dirigente José Abrantes afirma que "a nossa principal reivindicação para já, nesse sentido, é exatamente que o apoio aos pais com filhos menores de 12 anos seja estendido, efetivamente, também a pessoas em teletrabalho, independentemente do setor, ou aos cônjuges, caso não tenham funções compatíveis com o teletrabalho", escreve a agência Lusa.
"Obviamente, estamos a pensar mais em famílias monoparentais, que nem sequer foram tidas em conta neste caso, e, portanto, essas devem ser e têm de ser, logicamente, tidas logo em conta, e também a justiça de, pelo menos o cônjuge, quando exista, poder ter esse apoio, nem que seja a 66% , embora nós achemos também por mera justiça que os 100% é que seria o justo e o correto", disse ainda.
E se “para qualquer trabalhador é extremamente difícil" estar em teletrabalho com filhos pequenos em casa, para quem faz atendimento telefónico "torna-se impossível".
O Sindicato irá enviar uma carta aberta ao governo, detalhando as suas reivindicações e exigindo uma resposta do primeiro-ministro e da Ministra do Trabalho e Segurança Social.
"Se este pedido não surtir o efeito de sensibilizar quem tem o poder de legislar, outras ações poderão vir, muito em breve, por todos os meios possíveis", afirmou ainda.
O número de trabalhadores que contactou o sindicato nas últimas semanas e os casos relatados demontra que “o ponto de rutura a que a situação está a chegar”.
"O Governo nega o acesso ao apoio familiar quando pelo menos um dos pais está em teletrabalho, daí só se pode concluir que, ou acha que cuidar das crianças é apenas mantê-las em casa, ou acha que teletrabalho não é trabalho a sério", pode ler no documento do sindicato.
Há empresas a pressionar trabalhadores "pelos tempos de chamada, pelo ruído", ou mesmo "por se ouvir do outro lado as crianças a pedir atenção".
O presidente do STCC, Danilo Moreira, exige ainda "uma legislação do teletrabalho e também garantir que haja um subsídio de teletrabalho", para garantir a compensação do aumento de despesas com energia, internet, água e alimentação, bem como "todos os instrumentos e equipamentos necessários à realização do teletrabalho".
O sindicato denunciou também casos de desrespeito pelo horário de trabalho, em que os trabalhadores em teletrabalho estão a ser obrigados a trabalhar mais horas, sem receberem mais por isso, bem como casos de implementação de meios de vigilância, que considera "um atentado à privacidade dos trabalhadores".
Apesar de assegurarem o funcionamento de setores estratégicos como as telecomunicações, banca ou energia, a profissão dos trabalhadores de call-center não é reconhecida.
"Apesar dos lucros das empresas e da importância destes trabalhadores, a verdade é que estes estão sujeitos a grande desgaste, trabalham muitas vezes sem condições, com vínculos precários onde o "outsourcing", o trabalho temporário, os baixos salários e total desrespeito pelos mais básicos direitos laborais são a regra", terminou por dizer.