Bloco reuniu com PS

“Capacidade de diálogo é o que torna esta oposição mais forte”

23 de abril 2024 - 15:35

No final da reunião com o PS, Mariana Mortágua fez o balanço dos encontros mantidos com as direções dos partidos da esquerda e ecologistas desde as legislativas de março.

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Mariana Mortágua
Mariana Mortágua. Foto de Ana Mendes.

Delegações do Bloco de Esquerda e do Partido Socialista reuniram na manhã de terça-feira, no último dos encontros solicitados pelos bloquistas após as eleições legislativas para analisar conjuntamente a situação política e os caminhos da oposição ao Governo e à maioria parlamentar de direita.

Durante este encontro, disse Mariana Mortágua aos jornalistas, discutiu-se a eventual revisão constitucional com atenção particular aos temas em que a direita pretende fazer retrocessos em relação aos direitos fundamentais, a eventual revisão da lei eleitoral e o perigo de que possa vir a reduzir a proporcionalidade e representação dos eleitores, mas também a coordenação futura das lideranças parlamentares dos dois partidos na oposição e a mobilização para as manifestações dos 50 anos do 25 de Abril que se realizam por todo o país na quinta-feira.

Mariana Mortágua aproveitou para fazer um balanço deste “ciclo de reuniões”, com esta última a beneficiar do tempo decorrido desde a tomada de posse do Governo, em que já ficou clara, no plano da fiscalidade, “a opção por medidas que agravam a injustiça”, ao privilegiar a descida dos impostos sobre as grandes empresas e os grandes lucros, tendo por outro lado um impacto muito reduzido no IRS, “concentrado entre os escalões de cima e não entre a maioria das pessoas que trabalha e recebe um salário em Portugal”.

Outra confirmação das últimas semanas foi “o arrastar da permanente situação de instabilidade social e política que se gerou com a maioria de direita”, prosseguiu a coordenadora bloquista, considerando que isso traduz “a incapacidade da direita de trazer um projeto para o país, de futuro e prosperidade, e também um projeto de estabilidade”.

Quanto aos resultados concretos destas reuniões com os restantes partidos da oposição à esquerda, Mariana Mortágua destacou “a vontade de impedir tentações por parte da direita de retrocessos em direitos constitucionais ou retrocessos de direitos fundamentais” da população, a “vontade e disponibilidade para uma articulação entre direções parlamentares e políticas para coordenar a atividade na oposição no Parlamento e para o futuro”, e “a vontade de que este 25 de Abril seja um momento de enorme mobilização popular e que todos os partidos possam contribuir e juntar forças, unindo na Avenida da Liberdade e por todas as avenidas por esse país afora onde se celebra o 25 de Abril para que esta seja a grande celebração da democracia”.

“Essa capacidade e abertura de diálogo, respeitando a autonomia e as diferenças entre partidos, é o que torna esta oposição mais forte“, resumiu, acrescentando que “o primeiro momento de diálogo aconteceu e inaugura o que esperamos ser um canal aberto de conversas entre estes partidos e é isso que queremos valorizar”.

“Queremos garantir ao nosso povo, ao povo que vai sair à rua em defesa da democracia no 25 de Abril, que há partidos que querem dialogar para defender essa democracia e aprofundá-la. Certamente com opiniões e caminhos diferentes, mas que querem fazer esse percurso e querem fazê-lo em diálogo e se recusam a aceitar um retrocesso em direitos fundamentais e democráticos”, prosseguiu Mariana Mortágua.

Questionada pelos jornalistas sobre os nomes indicados para encabeçar as listas do PSD e do PS às eleições europeias - Sebastião Bugalho e Marta Temido, respetivamente -, Mariana Mortágua respondeu que “estou certa que a Catarina Martins será a melhor candidata e a mais capaz de derrotar a direita nestas eleições e também de afirmar uma ideia de uma Europa solidária e que não cede a estes retrocessos impostos pela direita”.