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"A esquerda tem de representar todo o povo que quer prevenir retrocessos"

À saída da reunião com o Livre, Mariana Mortágua destacou a abertura para a articulação da agenda parlamentar entre os dois partidos e defendeu a convergência na ação junto dos vários movimentos.
Jorge Costa, Mariana Mortágua e Fabian Figueiredo.
Jorge Costa, Mariana Mortágua e Fabian Figueiredo na reunião com o Livre. Foto de Ana Mendes

As delegações do Bloco de Esquerda e do Livre reuniram na manhã desta sexta-feira, do segundo da série de encontros que a direção bloquista está a promover com os restantes partidos da esquerda e ecologistas. Após o encontro na sede do Livre, Mariana Mortágua afirmou que a reunião foi importante para "abrir a porta a um diálogo permanente" e criar as condições para que haja "convergência dos grupos parlamentares na oposição", que pode passar também por "iniciativas conjuntas".

No imediato, destacou a "grande mobilização que queremos para o 25 de Abril", que celebra os 50 anos da Revolução dos Cravos "mas também é o momento em que o país sai à rua para dizer que há esperança no futuro e numa alternativa perante o crescimento da extrema-direita e a viragem à direita no país".

Além do reforço da articulação parlamentar, Mariana Mortágua defendeu ainda a "convergência de ação nos movimentos feminista, LGBT, pelo direito à habitação, pela defesa do clima", considerando "importante que os partidos à esquerda e ecologistas sejam capazes de mostrar ao país capacidade de diálogo". Da mesma forma, é necessário "que a esquerda esteja atenta, mobilizada e capaz de representar todo o povo que quer prevenir retrocessos", o que significa "impedir iniciativas que possam constituir retrocessos sociais", nomeadamente em temas como a interrupção voluntária da gravidez ou a lei da morte assistida.

Perante um reforço da direita e da extrema-direita que "explora a desigualdade, a desesperança, o ressentimento na sociedade com oportunismo e muitas vezes com mentira", a coordenadora do Bloco salientou que "a responsabilidade da esquerda é de garantir um diálogo para fazer oposição a essa direita e garantir que não há nenhum recuo em direitos sociais, mas também garantir que vai tecendo uma alternativa e uma esperança para Portugal". E assim provar que "há em Portugal uma esquerda capaz de afirmar uma alternativa e servir de barreira ao retrocesso social que representa a extrema-direita hoje".

Nesta reunião, o Bloco fez-se representar por Mariana Mortágua, Fabian Figueiredo, Jorge Costa e Luís Fazenda, enquanto a delagação anfitriã foi composta por Rui Tavares, Isabel Mendes Lopes, Patrícia Robalo e Paulo Muacho.

Rui Tavares: "São estes contactos regulares que impedem mal-entendidos"

Por seu lado, o líder do Livre sublinhou também a importância destes encontros e da coordenação do trabalho parlamentar, sugerindo por exemplo que no futuro haja "reuniões regulares entre os líderes parlamentares para haver complementaridade nos agendamentos".

Questionado sobe se a convergência não seria um sinal do enfraquecimento da esquerda face ao crescimento da direita, respondeu que "a experiência do Livre é que a esquerda consegue crescer tanto quanto a direita a partir da base que tem", sublinhando que tal como o Chega, o seu partido quadruplicou a bancada e triplicou o número de eleitores, mesmo sem os apoios financeiros e a exposição nos meios de comunicação de que beneficiou o partido de André Ventura. "Se o Livre tivesse metade da atenção mediática que a extrema-direita tem, teria um resultado muito mais amplo", sublinhou.

Para Rui Tavares, o objetivo da esquerda deve ser o de "preparar as condições para uma governação com responsabilidade no futuro para o país". E além da coordenação entre partidos, afirma que são "estes contactos regulares que impedem mal-entendidos e algum fogo amigo que por vezes ocorre". "A esquerda só cresce se for buscar votos, cidadãos e mandatos à direita. Se a esquerda crescer apenas por transferência de votos entre os partidos de esquerda, fica na mesma".

O líder do Livre deu ainda o exemplo da habitação como um tema em que há convergências mas também propostas diferentes, com o seu partido a propor ajudas para o acesso ao crédito à habitação ou que os impostos sobre habitação de luxo sirvam para financiar um fundo de emergência na habitação. Quanto as convergências, encontram-se por exemplo "na oposição aos programas da AD e IL que preconizam uma alienação muito rápida de património público: enquanto nós dizemos que os quartéis esvaziados devem ser residências de estudantes, se olharmos para o programa da AD e IL, o receio que temos é que os quartéis esvaziados se transformem em lofts de luxo para quem tiver dois milhões de euros para pagar por cada um deles", prosseguiu Rui Tavares.

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