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Bloco reuniu com o PAN para abrir “uma porta de diálogo”

Em declarações à saída da reunião com o PAN, Mariana Mortágua salientou as preocupações partilhadas sobre direitos sociais, questões de igualdade, climáticas ou de bem-estar animal e a necessidade de convergências para que não haja retrocessos.
Reunião entre Bloco e PAN. Foto de Ana Mendes.
Reunião entre Bloco e PAN. Foto de Ana Mendes.

Bloco de Esquerda e PAN reuniram pela primeira vez esta quarta-feira e à saída do encontro Mariana Mortágua salientou que assim se “abre uma ponte, uma porta de diálogo, ao acordo entre estes dois partidos para que exista uma convergência e capacidade de diálogo na oposição sobre questões essenciais”.

Para a coordenadora do Bloco, “este diálogo é essencial" porque há agendas e preocupações comuns aos dois partidos "sobre direitos sociais, sobre questões de igualdade, sobre questões climáticas” e também sobre o processo de revisão constitucional.

A dirigente bloquista garantiu que “esta ponte aberta terá outros momentos no futuro e criará oportunidades de convergência no futuro” de forma a “garantir que não há retrocessos sociais”.

Em cima da mesa, esteve também a mobilização para a próxima manifestação do 25 de Abril, “uma manifestação que não só celebra os 50 anos do 25 de Abril, como se realiza num momento importante para o país e é também uma forma de toda a gente mostrar na rua uma resposta forte aos resultados destas eleições e ao crescimento da extrema-direita”.

Perante as questões sobre um eventual orçamento retificativo a apresentar um governo que ainda não existe, Mariana Mortágua reiterou o que tinha tido “com toda a clareza antes das eleições: que o Bloco de Esquerda não votará e não viabiliza orçamentos da direita”. De resto, “o Bloco de Esquerda vota em matérias concretas como o seu programa eleitoral determina”.

Reiterando que “há uma responsabilidade por parte dos diferentes partidos de esquerda e ecologistas para uma convergência na oposição”, no sentido de garantir "que não se recua nos direitos sociais e que não se destroem caminhos longos que foram feitos”, a porta-voz bloquista vincou que com as reuniões “o Bloco de Esquerda não pretende alterar os resultados das eleições e não pretende fundir todos os partidos num só partido”, mas antes garantir “que não há recuos e que os direitos sociais e agendas que temos vindo a conquistar com tanto trabalho e tanta mobilização, não recuam”.

Um momento importante poderá ser um processo de revisão constitucional, no qual “queremos que se avance" em matérias como direitos sociais e questões de bem estar animal, agora postas em causa com a maioria de direita.

Inês Sousa Real destaca importância destas "pontes de diálogo” para defender "direitos adquiridos"

Por seu lado, a porta-voz do PAN destacou no final da reunião que “estas pontes de diálogo” são importantes para que se garanta “que a maioria que se formou à direita e em particular também dando a mão à extrema-direita, como é o caso do Chega, que não põe em causa estes direitos adquiridos”.

Para Inês de Sousa Real, o encontro deixou claro "que há uma convergência para garantirmos que direitos adquiridos não servem como moeda de troca e que matérias tão preocupantes, que temos trabalhado nas anteriores legislaturas, como a morte medicamente assistida, que não há retrocesso em matéria de direitos humanos das mulheres, como é o caso da interrupção voluntária da gravidez ou até mesmo em matérias como o bem-estar animal ou a defesa do ambiente e a luta contra as alterações climáticas”.

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