A Câmara Municipal de Loures anunciou na terça-feira a intenção de demolir seis habitações no bairro do Talude ainda esta semana. O movimento Vida Justa diz em comunicado que estas casas agora alvo dos bulldozers de Ricardo Leão “foram reconstruídas por moradores que tinham sido despejados nos dias 14 e 30 de julho, sem que lhes tivesse sido apresentada qualquer solução habitacional alternativa”.
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Na véspera, uma fonte do município tinha dito à imprensa que a nova demolição afetaria quatro casas, mas esta terça-feira o número subiu para seis após uma visita camarária para afixar editais nas habitações a demolir.
Nessa visita, “a comitiva incluía membros do departamento de ação social, que continua a pressionar os moradores a deslocarem-se à Casa da Cultura de Sacavém com vista ao encontro de supostas soluções”, refere o Vida Justa, acrescentando que “três das pessoas visadas atenderam à sugestão, tendo-lhes sido apresentadas as mesmas condições anteriormente comunicadas: atribuição de uma renda e caução para arrendamento no mercado privado”, que pratica preços incompatíveis com os rendimentos do trabalho de quem ali vive.
As demolições anunciadas "enquadram-se num regime de exceção que a Câmara não clarifica, impondo um prazo de 48 horas para que os moradores abandonem as suas casas", prossegue o comunicado, explicando que este prazo “impede, na prática, que os residentes possam contestar a decisão por via legal ou judicial - apesar de existir uma decisão do tribunal que proíbe o município de executar atos de demolição”.
O movimento acusa o executivo liderado por Ricardo Leão, do PS, de se manter “firme numa política que empurra famílias inteiras para a pobreza extrema, destruindo vidas e retirando-lhes a base que lhes permite trabalhar: a sua casa”.
Para o Vida Justa, que continua a prestar apoio a estas famílias, “a crise da habitação em Portugal só poderá ser enfrentada com respeito pela legalidade, encaminhamento para soluções adequadas das pessoas em risco de despejo, regulação do mercado imobiliário em prol do interesse público e construção de habitação pública que cumpra a função social prevista na Constituição”.