Autárquicas 2025

Ricardo Leão faz “discurso igual a André Ventura”, Montenegro faz “política cruel”

27 de julho 2025 - 16:42

Dirigentes nacionais do Bloco, do Livre e do PAN estiveram em consonância na apresentação da coligação que os une em Loures. Concordaram nas críticas à postura da atual Câmara Municipal quanto à destruição de barracas sem oferecer alternativa habitacional e nas críticas ao governo sobre o recuo no luto gestacional nas leis do trabalho.

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Apresentação da coligação "Construir o Futuro" em Loures.
Apresentação da coligação "Construir o Futuro" em Loures.

Na apresentação da coligação “Construir o Futuro”, estiveram presentes dirigentes nacionais do Bloco de Esquerda, do Livre e do PAN. E o pontapé de saída deste caminho de unidade na autarquia de Loures ficou marcado por uma sintonia nas críticas que fizeram sobre a destruição a mando do executivo da Câmara de casas auto-construídas no Bairro do Talude Militar, sem alternativa habitacional, e também pela consonância sobre um tema nacional: as críticas ao governo sobre o seu recuo no tema do direito ao luto gestacional na legislação do trabalho.

O dirigente bloquista Fabian Figueiredo começou por destacar ser uma “boa notícia” a coligação então apresentada por ser “um sinal importante que as pessoas decentes sabem unir e sabem construir programas para trazer uma alternativa para este município”.

Para ele, “o poder estabelecido em Loures” pelo Partido Socialista “tem sido um susto”, lembrando como o PS criticou “violentamente o discurso excludente, agressivo de André Ventura” quando este foi candidato pelo PSD a esta autarquia em 2017e agora o seu presidente de Câmara “Ricardo Leão faz exatamente o mesmo discurso que André Ventura” então fazia.

Fabian Figueiredo considerou esta postura “indecente” e apelou a quem se tem revisto nas políticas deste partido que deposite o seu voto na coligação porque “toda a gente que quer políticas decentes, empáticas, humanistas, progressistas e ecologistas é bem-vinda a esta coligação”.

O dirigente bloquista referiu também a proposta de alteração à lei do trabalho para “acabar com o luto gestacional” que mostra que Luís Montenegro “está na política de forma cruel”. Vincando que “perder um filho é uma dor gigantesca”, acredita que estarmos em 2025 a discutir “o fim do direito ao luto gestacional é uma crueldade imensa que tem que ser travada”.

Face aos dois assuntos, terminou apelando quer “a toda a gente decente do concelho de Loures que é a larguíssima maioria da população” para se juntar à coligação quer “a todos os humanistas que viram com muita apreensão esta vergonha que é acabar com o luto gestacional” que se “juntem a este sobressalto cívico porque o Governo tem que ser travado”.

No mesmo sentido sobre este tema se pronunciaram os porta-vozes do Livre e do PAN.

Rui Tavares, do Livre, pediu igualmente que “uma lição seja dada pelos eleitores” aos partidos que acham que o caminho agora é ir atrás dos cliques e de quem consegue mais minutos nas televisões “ou com discurso de ódio, ou com falsidades”. Em Loures, a coligação servirá “para facilitar a vida” a estes eleitores: “saber que quem quer optar por uma política feita de boa vizinhança, de entreajuda, de respeito, de decência na política e de resolver problemas em vez de aumentar os problemas tem em quem votar”. Sobre as demolições lembrou autarcas socialistas como Jorge Sampaio e João Soares que demoliam barracas mas depois de fazerem casas para as pessoas e obrigavam o governo a trabalhar.

Por sua vez, Inês Sousa Real, do PAN, apelou ao voto numa “coligação humanista” com uma “forma decente de fazer política”, destacando que “ninguém escolhe morar numa barraca” sem “saneamento básico nem as mínimas condições dignas para viver” e criticando os autarcas que demolem casas, expulsam-nas do “pouco teto que tinham para viver e fazer disso um modo não só de obter conquistas eleitorais mas soundbites e likes nas redes sociais”.