Demolições de casas

Presidente da Câmara de Loures está a “mentir”, diz Vida Justa

23 de julho 2025 - 11:36

O movimento diz que Ricardo Leão pretende “desacreditar e reprimir a organização popular, como se fosse crime participar na vida política e reivindicar direitos”. Para ele, “o que é criminoso não é lutar por justiça. É ignorar quem já vive há décadas em bairros esquecidos”.

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Uma moradora passa por destroços das habitações demolidas no Bairro do Talude Militar em Loures.
Uma moradora passa por destroços das habitações demolidas no Bairro do Talude Militar em Loures. Foto de Rodrigo Antunes/Lusa.

Depois de ter avançado com a destruição de várias casas no bairro do Talude Militar, até ser travado por uma providência cautelar, Ricardo Leão, presidente da Câmara Municipal de Loures eleito pelo PS, veio à televisão dizer que as pessoas que foram despejadas sem alternativa habitacional “estão lá porque querem” e acusar o movimento Vida Justa de “manipular estas famílias” e de “prejudicar as pessoas”, “proibindo-as de falarem” com os técnicos do município.

Numa intervenção num evento da SIC Notícias, o autarca afirmou ainda que uma queixa-crime ao Ministério Público contra uma “teia criminosa” que acusa de “comercializar barracas a dois mil e três mil euros cada cinco metros quadrados, com garantia de luz e água”. Quando questionado, retorquiu que afinal a “teia criminosa” seria “uma só pessoa, que está identificada, que tem lá uma barraca também.”

Sobre o facto de estar a responder positivamente e mandando “um abraço” a comentários racistas nas redes sociais que o apoiam por ter destruído aquelas casas, justificou que houve “um erro da empresa que gere a página” e assegurou que “obviamente” não deu indicações para isso.

O Vida Justa tratou de reagir a estas declarações, considerando que Ricardo Leão “usou a televisão para mentir sobre o movimento Vida Justa e sobre os apoios dados pela Câmara Municipal aos moradores do Talude”, esclarecendo que “a verdade é que muitos continuam sem soluções reais, empurrados para situações precárias, e que a resposta da autarquia tem sido tardia, insuficiente e desigual”.

Para este movimento, o presidente da autarquia de Loures “foi mais longe: insinuou que a Vida Justa é uma rede criminosa, numa tentativa vergonhosa de criminalizar a participação cívica e política de quem luta por justiça”. Trata-se assim de “colar um movimento social à criminalidade”, o que implica “estratégia perigosa: desacreditar e reprimir a organização popular, como se fosse crime participar na vida política e reivindicar direitos”.

O Vida Justa garante que não vai aceitar “esta tentativa de silenciamento” e que vai responder “politicamente e onde for necessário para repor a verdade e condenar os criminosos”. Para estes ativistas, “o que é criminoso não é lutar por justiça. É ignorar quem já vive há décadas em bairros esquecidos”.