Depois de ter avançado com a destruição de várias casas no bairro do Talude Militar, até ser travado por uma providência cautelar, Ricardo Leão, presidente da Câmara Municipal de Loures eleito pelo PS, veio à televisão dizer que as pessoas que foram despejadas sem alternativa habitacional “estão lá porque querem” e acusar o movimento Vida Justa de “manipular estas famílias” e de “prejudicar as pessoas”, “proibindo-as de falarem” com os técnicos do município.
Numa intervenção num evento da SIC Notícias, o autarca afirmou ainda que uma queixa-crime ao Ministério Público contra uma “teia criminosa” que acusa de “comercializar barracas a dois mil e três mil euros cada cinco metros quadrados, com garantia de luz e água”. Quando questionado, retorquiu que afinal a “teia criminosa” seria “uma só pessoa, que está identificada, que tem lá uma barraca também.”
Sobre o facto de estar a responder positivamente e mandando “um abraço” a comentários racistas nas redes sociais que o apoiam por ter destruído aquelas casas, justificou que houve “um erro da empresa que gere a página” e assegurou que “obviamente” não deu indicações para isso.
O Vida Justa tratou de reagir a estas declarações, considerando que Ricardo Leão “usou a televisão para mentir sobre o movimento Vida Justa e sobre os apoios dados pela Câmara Municipal aos moradores do Talude”, esclarecendo que “a verdade é que muitos continuam sem soluções reais, empurrados para situações precárias, e que a resposta da autarquia tem sido tardia, insuficiente e desigual”.
Para este movimento, o presidente da autarquia de Loures “foi mais longe: insinuou que a Vida Justa é uma rede criminosa, numa tentativa vergonhosa de criminalizar a participação cívica e política de quem luta por justiça”. Trata-se assim de “colar um movimento social à criminalidade”, o que implica “estratégia perigosa: desacreditar e reprimir a organização popular, como se fosse crime participar na vida política e reivindicar direitos”.
O Vida Justa garante que não vai aceitar “esta tentativa de silenciamento” e que vai responder “politicamente e onde for necessário para repor a verdade e condenar os criminosos”. Para estes ativistas, “o que é criminoso não é lutar por justiça. É ignorar quem já vive há décadas em bairros esquecidos”.