Caixa e bancos privados, os mesmos créditos ruinosos

27 de fevereiro 2019 - 17:02

CGD, Novo Banco e BCP foram campeões em atribuir créditos ruinosos. Depois de conhecidas numa auditoria parte das empresas que são grandes devedoras à Caixa, o cruzamento com as que estão em processo de revitalização permite concluir que pelo menos 11 delas têm dívidas milionárias aos bancos privados.

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Foto de Paulete Matos

Artlant, Grupo Lena, PFR Investe, Finpro e Opway. São alguns dos nomes da lista de beneficiários de créditos ruinosos da Caixa Geral de Depósitos que se repetem quando se procuram grandes devedores dos bancos privados. Segundo o jornal online ECO, de entre os 25 grandes devedores que não pagaram à CGD pelo menos onze devem igualmente milhões a bancos privados portugueses. Estas contas foram feitas a partir do portal Citius. Por isso, apenas dizem respeito a empresas em “processo especial de revitalização” (PER), uma forma de reestruturação do passivo de forma a tentar evitar a insolvência, ou as que declararam mesmo insolvência.

A informação de que vários dos créditos ruinosos seriam comuns a outros bancos já tinha sido sugerida pelo presidente da CGD, Paulo Macedo, em audição parlamentar.

Dados da auditoria independente da empresa EY realizada ao banco público identificaram recentemente perdas de 1.647 milhões de euros do banco público em créditos malparados, dos quais a grande maioria apenas a 25 empresas. Só se conhecem 15 dessas 25 empresas.

Artlant, Investifino, de Manuel Fino, Fundação Berardo, de Joe Berardo, AE Douro Litoral e Jupiter compõem o top 5 das dívidas à Caixa. A maior devedora, a Artlant, um projeto de construção de uma fábrica em Sines cujo principal motor era a empresa petroquímica catalã La Seda deve 211 milhões de euros. A fábrica não chegou a existir e ficou a dívida. Para a CGD mas para o Santander Totta, essa no valor de 2,3 milhões de euros.

De entre os outros grandes grandes devedores da CGD que se cruzam com a banca privado, consta uma empresa do Grupo Lena, a Lena Hotéis e Turismo. O restante grupo mudou de cara mas esta empresa entrou em PER e é assim conhecida uma dívida de 500 mil euros ao Banco BIC, 2,3 milhões de euros ao Totta, 2 milhões ao Montepio Geral e 15,5 milhões de euros ao Novo Banco. Do restante Grupo Lena sabe-se ainda que, em 2016, devia 305 milhões ao BES.

A sociedade gestora de capitais Finpro (que é detida por dinheiros públicos, pelo Banif e sobretudo por Américo Amorim) é outra empresa que entre ou em PER e que também deve a cinco bancos privados: BCP (quase 49 milhões de euros), BIC (9,5 milhões), Santander Totta (13,3 milhões), Banif (34,6 milhões) e Crédito Agrícola (6,5 milhões).

A construtora do Grupo Espírito Santo (GES), a Opway, deve 119 milhões ao BPI, 62,8 milhões ao BES, 48 milhões ao BCP, 7,9 milhões ao Banco Popular, 3,3 milhões ao Santander Totta e 2,8 milhões ao BIC.

Outras empresas como Golf Marinha Praia, Obriverca, MSF SGPS e MSF Engenharia, FDO Construções e Extrinvest também constam da lista de devedores ao banco público e privados. E Joe Berardo, devedor através da da Fundação Berardo e da Metalgest de 321 milhões de euros à CGD, também devia, em 2016, 309 milhões de euros ao BES, um banco de que se conheceram os créditos ruinosos na sequência da crise que o abalou. Grupo Mello, Ongoing, Grupo Lena e Obriverca eram grandes credores tanto da CGD como do BES.

Juntos, CGD, Novo Banco e BCP têm 76% das imparidades da banca.

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