O “Jornal de Negócios” analisou os 25 maiores devedores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) com maiores exposições ou maiores perdas com base no relatório preliminar da auditoria da EY, que analisou 200 devedores do banco público no período 2010-2015. Metade desses 25 maiores devedores está em falência.
Sete desses devedores eram Artlant, Birchview, QDL, Fundação Berardo, Investifino, Finpro e Metalgest. Esses sete receberam mais de mil milhões de euros de créditos e provocaram quase 600 milhões de perdas contabilizadas.
Dos casos noticiados pelo Negócios, destacamos quatro, todos de perdas superiores a 100 milhões: o da La Seda/Artlant/Júpiter; o de Manuel Fino/Investifino, o de Joe Berardo e o das Autoestradas do Douro Litoral.
O caso mais significativo é o da La Seda e da construção de uma fábrica de polímeros em Sines, que inicialmente eram uma divisão da La Seda, que depois faliu. Em 2015, a CGD tinha uma exposição de 350,8 milhões de euros à Artlant (antes Artenius) e de 89,2 milhões à Júpiter (também acionista da La Seda). Segundo o jornal, no final de 2015 as perdas da CGD eram de 60,2% da exposição (cerca de 210 milhões) à Artlant e do total em relação à Júpiter. Em conjunto, as perdas podem ascender a 300 milhões de euros.
Outro caso importante é o de Manuel Fino, que chegou a deter 2% do BCP, cerca de 20% da Cimpor e o controlo da construtora Soares da Costa. O valor do crédito ascendeu a 138,3 milhões e a perda para a Caixa a 96,3% do valor. Em 2012, Manuel Fino transferiu a sede da holding Investifino para Malta.
A Joe Berardo, que se tornou conhecido nas guerras pelo controle do BCP, a CGD emprestou mais de 300 milhões para “aquisição de ações”. Os créditos foram feitos à Fundação Joe Berardo, 268 milhões de euros, e à Metalgest, uma holding de Berardo, no montante de 53 milhões. As perdas para a Caixa são de 152 milhões de euros no total - 28 milhões mais 124 milhões, respetivamente.
A Auto-Estradas do Douro Litoral (AEDL) tem a concessão de três autoestradas no grande Porto: A32, A41 e A43 e entrou em incumprimento em 2014 com uma dívida superior a mil milhões de euros. O crédito concedido pela CGD à AEDL foi de 153,3 milhões de euros, tendo perdido 80%, cerca de 123 milhões.
Entre os maiores devedores à CGD já falidos encontram-se: a Birchview, responsável por um empreendimento na região da Quinta do Lago; o grupo MSF (antigo Moniz da Maia, Serra & Fortunato); a PFR Invest, uma empresa municipal de Paços de Ferreira; a Promovest, cujo ativo principal era o emprendimento de luxo Jardins do Mondego, em Coimbra; a Obriverca, que teve Luís Filipe Vieira, atual presidente do Benfica, como um dos fundadores.