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Bouteflika: saída anunciada

Segundo a agência noticiosa estatal argelina, o presidente do país sairá de cena antes da data do final do mandato, 28 de abril. As manifestações massivas contra o presidente e a perda de apoio entre a elite político-militar tornavam este desfecho esperado.
foto de ain youcef/flickr

Primeiro, foram semanas de manifestações massivas contra a sua recandidatura. Depois as manifestações dirigiram-se contra o seu plano de "transição de poder". A seguir, quando o chefe do Estado Maior das forças armadas e muitos dos seus aliados políticos tradicionais lhe tiraram o tapete e começaram a dizê-lo incapaz por motivos de doença para continuar na presidência, as manifestações passaram a dizer que toda a elite político-militar que comanda o país há décadas deveria abandonar o poder.

Agora, chegou a notícia que parecia há muito inevitável: Abdelaziz Bouteflika não chegará ao fim do mandato, abandonando a presidência antes do dia 28 de abril.

A mensagem transmitida pela agência estatal argelina APS não esclarece a data e os detalhes concretos mas avança que Bouteflika tomará decisões importantes de forma a "assegurar a continuidade das instituições do Estado".

Segundo os trâmites constitucionais, deverá ser Abdelkader Bensalah, presidente da câmara alta do parlamento, quem ocupará o lugar provisoriamente por 90 dias de forma a assegurar a realização de eleições. Contudo, a lei eleitoral existente, feita à medida do poder instituído, tem sido contestada pela oposição e umas eleições comandadas pela velha guarda do poder podem não ser suficientes para travar a onda de contestação.

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