À entrada de uma reunião em Bruxelas com ministros da União Europeia que têm a pasta do Desenvolvimento, e que conta com a participação de Philippe Lazzarini, responsável pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, exprimiu as suas preocupações face à mortandade causada pelos ataques israelitas em Gaza.
“Até os Estados Unidos, que são os mais fortes apoiantes de Israel, consideraram, pelas palavras do próprio presidente Biden, que esta ação é desproporcionada, que o número de pessoas mortas, de civis mortos, é insuportável, e advertiram Israel para não continuar assim”, assinalou Borrell.
“Para lá das palavras, que mais se acha que deve ser feito? Se se considera que o número de mortes é demasiado elevado, existe alguma possibilidade de o fazer baixar?”, questionou.
O chefe da diplomacia europeia realçou que a Bruxelas não resta mais do que pressionar através das palavras, pois “a União Europeia [UE] não está a fornecer armas a Israel”.
“Mas outros estão [e] se se considera que o número de mortos é demasiado elevado, talvez possam fazer alguma coisa para o fazer baixar”, apontou.
Borrell lembrou que “as pessoas em Gaza não podem escapar”: “Estão perante uma porta trancada. Estão a ser atacadas sem poderem escapar. É esta a situação. Espero que o mundo inteiro faça um ponto da situação”, vincou.
I echo the warning by several EU member states that an Israeli offensive on Rafah would lead to an unspeakable humanitarian catastrophe and grave tensions with Egypt.
Resuming negotiations to free hostages and suspend hostilities is the only way to avert a bloodshed.
— Josep Borrell Fontelles (@JosepBorrellF) February 10, 2024
De acordo com o representante da UE, a UNRWA precisa de ter condições para atuar no terreno. Sublinhando que “ninguém mais pode fazer o que a UNRWA está a fazer”, Borrell afirmou que, independentemente das investigações sobre o alegado envolvimento de funcionários da agência no ataque do Hamas de 7 de outubro, “as pessoas têm que continuar a comer, têm que continuar a ir ao médico”.
Ataques a Rafah matam cerca de cem pessoas
A operação das Forças de Defesa de Israel sobre Rafah, no sul da Faixa de Gaza, matou, esta noite, perto de uma centena de palestinianos. A administração local informou ainda que 14 casas e três mesquitas foram atingidas pelos bombardeamentos. O ataque faz parte de uma ofensiva alargada a esta cidade perto da fronteira com o Egito, onde, de acordo com a ONU, se concentra, neste momento, a maior parte da população civil da Faixa de Gaza: são perto de 1,4 milhões de pessoas.
#Gaza Rafah is one of the most densely populated places on earth. Families have been displaced many times.
There is panic & desperation as 1.4 million people try to survive, try to get food & water - at the same time fearing for their lives due to continued military operation. pic.twitter.com/BjXeEiAjLz
— UNRWA (@UNRWA) February 12, 2024
Esta segunda-feira, o governo israelita anunciou que operacionais do exército, do Shin Beth, serviço de segurança interna, e da polícia libertaram dois reféns do Hamas.
Benjamin Netanyahu prontamente saudou os “bravos guerreiros pela ação ousada que levou à libertação”. E acrescentou que “só a continuação da pressão militar, até à vitória completa, resultará na libertação dos reféns”.
#Gaza Fear, panic and anxiety in Rafah, as 1.4 million people who have endured unimaginable suffering have nowhere else to go.
A large-scale military operation among this population would exponentially increase what is already a humanitarian nightmare. pic.twitter.com/LkoABFnmfu
— UNRWA (@UNRWA) February 10, 2024