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Borrell exorta Estados Unidos a deixarem de armar Israel

Josep Borrell frisa que ação de Israel é desproporcionada e que número de mortes é insuportável. Chefe da diplomacia europeia enfatiza ainda que agência da ONU tem de ter condições para atuar no terreno. Ataque israelita a Rafah faz cerca de cem mortos.
Imgem da Al Jazeera.

À entrada de uma reunião em Bruxelas com ministros da União Europeia que têm a pasta do Desenvolvimento, e que conta com a participação de Philippe Lazzarini, responsável pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, exprimiu as suas preocupações face à mortandade causada pelos ataques israelitas em Gaza.

“Até os Estados Unidos, que são os mais fortes apoiantes de Israel, consideraram, pelas palavras do próprio presidente Biden, que esta ação é desproporcionada, que o número de pessoas mortas, de civis mortos, é insuportável, e advertiram Israel para não continuar assim”, assinalou Borrell.

“Para lá das palavras, que mais se acha que deve ser feito? Se se considera que o número de mortes é demasiado elevado, existe alguma possibilidade de o fazer baixar?”, questionou.

O chefe da diplomacia europeia realçou que a Bruxelas não resta mais do que pressionar através das palavras, pois “a União Europeia [UE] não está a fornecer armas a Israel”. 

“Mas outros estão [e] se se considera que o número de mortos é demasiado elevado, talvez possam fazer alguma coisa para o fazer baixar”, apontou.

Borrell lembrou que “as pessoas em Gaza não podem escapar”: “Estão perante uma porta trancada. Estão a ser atacadas sem poderem escapar. É esta a situação. Espero que o mundo inteiro faça um ponto da situação”, vincou.

De acordo com o representante da UE, a UNRWA precisa de ter condições para atuar no terreno. Sublinhando que “ninguém mais pode fazer o que a UNRWA está a fazer”, Borrell afirmou que, independentemente das investigações sobre o alegado envolvimento de funcionários da agência no ataque do Hamas de 7 de outubro, “as pessoas têm que continuar a comer, têm que continuar a ir ao médico”.

Ataques a Rafah matam cerca de cem pessoas

A operação das Forças de Defesa de Israel sobre Rafah, no sul da Faixa de Gaza, matou, esta noite, perto de uma centena de palestinianos. A administração local informou ainda que 14 casas e três mesquitas foram atingidas pelos bombardeamentos. O ataque faz parte de uma ofensiva alargada a esta cidade perto da fronteira com o Egito, onde, de acordo com a ONU, se concentra, neste momento, a maior parte da população civil da Faixa de Gaza: são perto de 1,4 milhões de pessoas.

Esta segunda-feira, o governo israelita anunciou que operacionais do exército, do Shin Beth, serviço de segurança interna, e da polícia libertaram dois reféns do Hamas.

Benjamin Netanyahu prontamente saudou os “bravos guerreiros pela ação ousada que levou à libertação”. E acrescentou que “só a continuação da pressão militar, até à vitória completa, resultará na libertação dos reféns”.

 

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