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Boris Johnson enfrenta queixa-crime por mentir no referendo ao Brexit

O candidato favorito à sucessão de Theresa May vai responder a uma queixa-crime, interposta por um grupo pro-UE, que o acusa de mentir em campanha. Caso constitui um embaraço para Johnson na luta pela liderança conservadora e sinal da desconfiança que lhe têm as elites britânicas.
Boris Johnson as Emporer, 2008. Caricatura de Matt Brown/Flickr.
Boris Johnson as Emporer, 2008. Caricatura de Matt Brown/Flickr.

Boris Johnson, um dos favoritos à sucessão de Theresa May, vai responder em tribunal por afirmações que fez na campanha do referendo ao Brexit em 2016.

Uma queixa-crime interposta pelo Brexit Justice, um movimento pro-UE, acusa o ex-mayor de Londres, e ex-ministro dos negócios estrangeiros de Theresa May, de crimes de má-conduta em cargo público (misconduct in a public office) durante a campanha do referendo ao Brexit em 2016, quando era mayor de Londres, e também na campanha das legislativas de 2017, quando era deputado. Johnson afirmou várias vezes que o Reino Unido enviava todas as semanas 350 milhões de libras para a UE, um dos principais slogans da campanha leave, que não correspondia à verdade. A queixa afirma que Johnson "mentiu e enganou repetidamente o público britânico quanto aos custos de pertencer à UE", conduta que "em instâncias nacionais e internacionais mina a confiança pública e põe em causa a imagem dos dois cargos públicos" que aquele ocupou.

A juíza adstrita ao caso considerou a queixa-crime suficientemente plausível para dar andamento ao processo, mas sublinhou que nada estava provado e não faria quaisquer considerações de facto.

O caso constitui um embaraço para Johnson na altura em que prepara a corrida à sucessão de Theresa May na liderança do partido conservador e do país. Os apoiantes de Johnson com efeito veem o caso como uma mera manobra política para o enfraquecer e favorecer os seus rivais. Um deles foi mais longe e afirmou ao Financial Times que o caso era "nada menos que tentativa politicamente motivada para reverter o Brexit e esmagar a vontade do povo". Não obstante, a juíza não considerou o caso espúrio ou concebido apenas para embaraçar Johnson, e deu-lhe andamento.

À esquerda, onde Boris Johnson é uma figura odiada e temida, há também quem faça uma leitura política do caso, vendo na sua irrupção neste momento um sinal de que as elites britânicas não gostam de Johnson nem o querem ver no governo. O que, à imagem de Donald Trump nos EUA, não significa que o consigam impedir de chegar a Downing Street, ou que se recusem a trabalhar com ele se lá chegar.

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