Bloco quer que Parlamento condene incursão militar israelita em Jenin

04 de julho 2023 - 20:02

Maior incursão militar dos últimos 20 anos na região ocupada da Cisjordânia mata, pelo menos, 10 pessoas e fere outras 100, estando 20 em estado grave. Entre as vítimas mortais estão três crianças que viviam no campo de refugiados de Jenin. Bloco apresentou proposta de voto de condenação.

PARTILHAR
Foto de ALAA BADARNEH, EPA/Lusa.

Na proposta de voto de condenação da incursão militar israelita que atingiu um campo de refugiados na Cisjordânia, o grupo parlamentar do Bloco assinala que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os menores morreram por falta de assistência médica.

A OMS denuncia que foi impedida de prestar socorro no campo de refugiados, onde bulldozers israelitas danificaram infraestruturas de eletricidade e água. As denúncias sobre a obstrução à assistência médica, nomeadamente o impedimento da passagem das ambulâncias, são reforçadas pelo Médicos Sem Fronteiras.

As deputadas e os deputados do Bloco lembram que esta é a maior intervenção militar em Jenin desde 2002, e que o ataque soma-se a outras incursões recentes. No mês anterior, já tinha sido registado um ataque com drones nesta mesma cidade. Desde o início do ano, as incursões israelitas já causaram a morte a 113 palestinianos na Cisjordânia.

Milhares de palestinianos fogem do campo de refugiados de Jenin. A ministra da Saúde palestiniana, Mai Al Kaila, afirmou, em declarações à emissora Al Jazeera, citadas pelo jornal Público, que "a situação em Jenin é muito difícil e dura​". "A rede de água e eletricidade está danificada, especialmente dentro do campo de refugiados​. Os hospitais estão lotados com feridos, e alguns profissionais de saúde não conseguem chegar ao hospital onde deveriam trabalhar", descreve.

Na proposta de voto de condenação é ainda assinalado que, ao longo dos anos, as Nações Unidas têm defendido o fim da ocupação e uma resolução pacífica para a Palestina. E que, perante a recente intervenção militar israelita, o porta-voz do secretário-geral da ONU António Guterres alertou para a "perigosa escalada" da violência e apelou à proteção da população civil. O grupo parlamentar do Bloco defende que este apelo à paz e à proteção da população deve ser secundado por todos os defensores dos direitos humanos.