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Bloco quer impedir empresas com lucros de despedir durante a pandemia

À margem de um encontro com trabalhadores do banco Santander, Catarina Martins defendeu que as empresas lucrativas não podem representar mais um encargo para a Segurança Social em tempo de pandemia.
Catarina Martins com os trabalhadores do Santander Totta - Foto de Manuel de Almeida | Lusa

Esta segunda-feira, à margem do encontro com trabalhadores do banco Santander à porta da empresa, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, referiu que “há um grupo de empresas que estão a aproveitar o período pandémico para proceder a um abaixamento dos salários e dos direitos dos trabalhadores”.

A bloquista afirmou que empresas lucrativas “estão com processos deste tipo. Na semana passada estive com trabalhadores da Altice, hoje com trabalhadores do Santander, mas há outras empresas, como o BCP, que estão a aproveitar a pandemia para baixar os salários”.

O Bloco está a tomar iniciativas em três formas: “Por um lado, estamos a pedir à Autoridade para as Condições do Trabalho para investigar as práticas de assédio, práticas ilegais que estão a ser vividas nestas empresas. Por outro lado, queremos a alteração do Código do Trabalho para que não seja tão barato despedir e tão fácil substituir trabalhadores do quadro por trabalhadores de outsourcing, que é uma forma de extinguir postos de trabalho permanentes. E em terceiro lugar, aquilo que propomos neste tempo de pandemia é que haja lugar a uma medida especial que proíba as empresas com lucros de despedir”, disse a coordenadora do Bloco.

Neste caso específico, o banco Santander apresentou lucros de quase 300 milhões de euros no ano passado. Por isso Catarina Martins considera que esta empresa “não é afetada pela pandemia, portanto não há nenhuma razão para que faça uma operação que vai pesar sobre a Segurança Social deste país num momento de crise”.

A iniciativa vai dar entrada ainda esta semana na Assembleia da República e a dirigente bloquista revelou que “temos andado a negociar vários dossiers sobre o trabalho e temos vindo a dizer que é urgente alterar as condições laborais, já que estas empresas estão a aproveitar a pandemia para despedir, mesmo tendo lucros, porque usam o Código de Trabalho imposto pela Troika”.

Ainda em declarações à imprensa, um dos trabalhadores informou que “o banco Santander Totta iniciou em setembro passado um processo de redução de trabalhadores, um processo que tem sido, através de muita pressão, com contratos de rescisão para aceitarmos de mútuo acordo, ou seja, um despedimento encapotado”.

A empresa quer terminar o vínculo, ainda este ano, com cerca de 1.400 trabalhadores. Depois de ter já promovido a saída de 730 funcionários nos últimos meses, a administração do banco ameaça agora com despedimento coletivo de 685 trabalhadores.

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