PTRR

Bloco quer acelerar meta de neutralidade carbónica até 2045

25 de fevereiro 2026 - 13:31

Na reunião com o Governo sobre o PTRR, José Manuel Pureza entregou o contributo do Bloco com nove eixos de intervenção e 59 medidas para uma resposta que dê ao país capacidade de resistência face aos fenómenos meteorológicos extremos cada vez mais frequentes.

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Reunião entre o Govrno e o Bloco de Esquerda esta quarta-feira
Reunião entre o Govrno e o Bloco de Esquerda esta quarta-feira. Foto de Rafael Medeiros

O Governo deu início à ronda de auscultação dos partidos sobre o pleno Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) e esta quarta-feira o Bloco entregou ao primeiro-ministro o seu contributo, num documento que inclui nove eixos de intervenção e 59 medidas. No final do encontro, José Manuel Pureza disse aos jornalistas que entre as propostas apresentadas está a “aceleração da meta de neutralidade carbónica até 2045 e o reforço das condições de resistência do território e das comunidades às condições severas que desgraçadamente passaram a ser o novo normal”.

O coordenador do Bloco afirmou que se tratam de medidas a médio e longo prazo, que complementam o pacote de 10 medidas imediatas “para proteger no plano social aqueles e aquelas que tiveram as suas vidas devastadas pelas tempestades” que o Bloco de Esquerda leva esta quarta-feira a debate na Assembleia da República. Para José Manuel Pureza, “urge dar uma resposta que combine o curto prazo da resposta à emergência com uma resposta de médio e longo prazo que dote o país de uma capacidade de resistir a uma sequência cada vez mais instalada de fenómenos extremos”.

Os nove eixos da proposta bloquista, intitulada “Um Pacto Climático para Portugal - Propostas para uma transição justa e um território seguro”, são os seguintes: Transição energética e descarbonização; Mobilidade Sustentável e Redes Logísticas; Ordenamento do Território, Cidades Esponja e Proteção Costeira; Agricultura, Floresta e Soberania Alimentar; Água e Resiliência Hidrológica; Economia, Fiscalidade e Financiamento Climático; Trabalho, Produtividade e Transição Justa; Saúde Pública e Vulnerabilidade Demográfica; e Proteção Civil e gestão antecipatória de catástrofes.

O acolhimento do Governo às propostas do Bloco “foi o normal nestas circunstâncias”, acrescentou Pureza. “O Governo convocou-nos porque nos disse estar interessado em dialogar com as várias forças políticas e nós viemos com esse espírito”, prosseguiu o coordenador bloquista, dizendo que “da nossa parte, tomáramos nós, em benefício do país, que as nossas propostas fossem apropriadas por outras forças políticas e pelo Governo”.

“Ao contrário do que as direitas extremas dizem, as alterações climáticas existem e a emergência climática é um facto”, sublinhou José Manuel Pureza, criticando a “negligência de um poder político incapaz de dar resposta às alterações climáticas”, que ficou patente no dia em que “o país constatou a sua impreparação para todos estes acidentes que têm uma frequência cada vez maior”.