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Bloco exige reposição urgente da linha de autocarro entre Porto e Braga

A estreia da nova rede de autocarros da Área Metropolitana do Porto ficou marcada pelas queixas dos utentes. Bloco anunciou que vai chamar o líder da AMP ao Parlamento para dar explicações sobre o "caos" criado na vida das pessoas.
Panfleto da UNIR dentro do autocarro
Foto Câmara Municipal de Santo Tirso/Facebook.

Entrou em funcionamento na sexta-feira a nova rede de autocarros da Área Metropolitana do Porto (AMP), a UNIR. Mas como esse dia foi feriado, só esta segunda-feira a maioria dos utentes a utilizou. Com mudanças de horários e rotas e falta de informação nas paragens, para grande parte das pessoas a primeira sensação foi de caos. Numa reportagem em vários locais, o Jornal de Notícias testemunhou essa sensação, encontrando pessoas "perdidas" nos terminais à procura de autocarro para o seu destino, queixas de horas de espera e de autocarros lotados em horários onde até à semana passada circulavam quase vazios.

Quem pôde testemunhar de viva voz as queixas dos utentes foi o presidente da AMP e da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, embora de forma involuntária. Alguém resolveu afixar o número de telemóvel do autarca nas paragens dos autocarros, dizendo tratar-se no número da linha de informações da nova rede, que tem apenas o email como canal de contacto. Eduardo Vítor Rodrigues recebeu centenas de chamadas e segundo o JN promete avançar para a Justiça.

Ao final da tarde de terça-feira, o líder parlamentar do Bloco anunciou  que o partido vai chamar à comissão de Economia o presidente da Área Metropolitana do Porto para "responder por este caos" criado com a alteração do sistema de transportes na região do Porto.

A supressão de carreiras, a não apresentação dos horários das carreiras ou a eliminação da carreira Porto-Braga têm provocado "o caos na vida das pessoas" e foram "decisões tomadas com uma leviandade e um amadorismo inaceitáveis", prosseguiu Pedro Filipe Soares.

Uma das consequências no arranque da Rede UNIR foi o fim da linha de autocarro entre Braga e Porto através da A3. A AMP já tinha avisado que deixaria de assegurar esta linha na nova rede, alegando que a sua manutenção compete à Comunidade Intermunicipal (CIM) do Cávado ou à do Ave, pois serve maioritariamente utentes desses municípios. Por seu lado, a CIM Cávado responde que há um acordo com a AMP assinado em 2019 que prevê que a contratação da linha tem em conta a zona com mais quilómetros, ou seja, a do Porto.

Com este braço de ferro quem ficou a perder foram os utentes, que ficaram sem autocarro. Em comunicado, a Comissão Coordenadora Distrital de Braga do Bloco de Esquerda considera "urgente assegurar a reposição deste serviço, fundamental para muitas pessoas do distrito que se vêm subitamente sem resposta".

"Recorde se que este serviço de autocarro conta com cerca de 1500 passes vendidos e 18.000 bilhetes de bordo adquiridos anualmente. Este autocarro é fundamental não só para trabalhadores e estudantes mas também para acesso a cuidados de saúde, disponibilizados pelo Hospital de S. João e pelo Instituto Português de Oncologia", prossegue a distrital bloquista de Braga, que anuncia já ter solicitado uma reunião com caráter de urgência à CIM do Cávado.

Também em comunicado, a distrital bloquista do Porto apelou a que a AMP resolva rapidamente "o desconhecimento generalizado" sobre os horários e percursos da rede UNIR, defendendo que o arranque "não pode ser feito levianamente, nem de forma gradual, pois as pessoas dependem do transporte público para se deslocar, trabalhar e estudar".

"É imperativo um rápido investimento em veiculação de informação simples e acessível sobre as linhas e horários, reposição de linhas suprimidas, nomeadamente a de Braga, assim como a garantia de que existe capacidade de acompanhamento dos atrasos ou não passagem dos autocarros em tempo real", salienta, acrescentando que a nova rede UNIR não se pode "manter neste nível de amadorismo".


Notícia atualizada às 18h com a iniciativa do Bloco de Esquerda de chamar Eduardo Vítor Rodrigues a dar explicações no Parlamento.

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