Pacote laboral

Bloco critica “obsessão ideológica” do Governo nas leis do trabalho e na TAP

18 de novembro 2025 - 20:14

Mariana Mortágua reuniu com as duas centrais sindicais e confirmou que o Governo não pretende negociar nenhum dos pontos do pacote laboral que vêm “terraplanar os direitos que foram sendo construídos ao longo dos últimos anos”.

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Mariana Mortágua
. Foto Manuel de Almeida/Lusa

Numa conferência de imprensa esta terça-feira, a coordenadora do Bloco de Esquerda falou aos jornalistas sobre os encontros que manteve com as direções da CGTP e UGT a propósito do pacote laboral apresentado pelo Governo, a forma como as negociações têm decorrido e a greve geral convocada para o dia 11 de dezembro.

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Mariana Mortagua diz ter sentido por parte da CGTP e da UGT que o Governo sempre esteve nas reuniões com os sindicatos “sem qualquer perspetiva de negociação” e “com um conforto inédito” de ver a sua proposta de “reforma laboral mais ideológica e radical dos últimos anos” ser apoiada pelo Chega e pela IL.

“O Governo não tem qualquer disponibilidade para alterar os aspetos centrais, que significam terraplanar os direitos que foram sendo construídos ao longo dos últimos anos”, insistiu Mariana. E para os sindicatos, os aspetos centrais são as propostas que “permitem contratos a prazo eternos, desregular horários e acabar com qualquer tentativa de conciliar a vida familiar e profissional, o banco de horas que é o que faz acabar com as horas extra que são hoje, infelizmente, a base do salário de muitas pessoas”. Tudo o resto, incluindo os supostos recuos dos últimos dias, “são uma cortina de fumo para tentar fingir que faz alterações”, acrescentou.

Mariana Mortágua destacou a “capacidade de união” das centrais sindicais e juntou-se ao apelo aos trabalhadores para se juntarem à greve geral de dia 11 de dezembro. Se existe uma maioria à direita no Parlamento para aprovar o pacote laboral, “o que nos cabe a nós é mostrar que não há uma maioria social”, concluiu.

PJ fez buscas na TAP por causa da privatização feita pelo mesmo ministro que a quer voltar a privatizar: "Isto é irónico, para não dizer trágico”

Questionada pelos jornalistas sobre as buscas nas instalações da TAP, a propósito da investigação à anterior privatização do Governo de Passos Coelho, Mariana Mortágua diz que também nesta empresa está à vista o “radicalismo ideológico” do Governo.

“As buscas referem-se à privatização do Governo que tinha o mesmo ministro que está agora a privatizar a TAP. Isto é irónico, para não dizer trágico”, prosseguiu a coordenadora bloquista, lembrando que “denunciámos na altura, fizemos uma comissão de inquérito que concluiu que a TAP foi prejudicada com essa privatização”. E agora o Governo, com o mesmo ministro, “prepara-se para fazer o mesmo”, alertou.

Numa altura em que “a empresa está a dar lucro e não tem nenhuma urgência em ser privatizada”, o negócio em preparação apenas pode ser explicado com a mesma “obsessão ideológica nas privatizações, no trabalho, na saúde” que conduz o Governo. “Querem transformar o país, tentaram na altura da troika e querem fazê-lo agora. É muito importante travar o Governo enquanto é tempo”, concluiu.