BES: Administrador do Novo Banco associado a pista suíça na investigação

05 de agosto 2014 - 11:54

Moreira Rato foi sócio do sobrinho de Ricardo Salgado num fundo de investimento criado com dinheiro dos Espírito Santo. O fundo acabou nas mãos da Eurofin, que juntava o sobrinho do banqueiro e o contabilista que serviu de bode expiatório pelo descontrolo das contas do GES.

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João Moreira Rato dirigiu fundo financiado pelo BES com o sobrinho de Salgado. Quando o Grupo Espírito Santo ruiu, foi escolhido para gerir o "banco bom" que os contribuintes estão a resgatar. Foto Mário Cruz/Lusa.

A notícia do Wall Street Journal aponta uma pista suíça no complicado novelo das investigações às irregularidades no Banco Espírito Santo. As ligações da Eurofin, sedeada em Lausanne, ao Grupo Espírito Santo, passaram pela montagem de produtos financeiros para vender dívida das empresas do Grupo Espírito Santo aos clientes do BES. E estão a ser investigadas pela CMVM e Banco de Portugal, adianta o diário económico estadunidense.

Uma das figuras desta empresa suíça é o célebre "comissaire aux comptes" Francisco Machado da Cruz, a quem Ricardo Salgado atribuiu a responsabilidade pelo descalabro das contas da Espírito Santo International. Machado da Cruz era o único auditor da empresa, mas ao mesmo tempo fazia parte das administrações da Rioforte Investments SA e do BES Angola, para além de presidir ao Espírito Santo Plaza, o arranha-céus de Miami que pertence ao grupo.

O "contabilista" acusado por Salgado tinha dito ao Banco de Portugal que o líder do BES e José Castella "sabiam que faltava dinheiro no passivo" do grupo. Semanas depois, alterou esta versão dos acontecimentos no depoimento prestado ao comité de auditoria da Espírito Santo Financial Group. Machado da Cruz acabou por se demitir ao mesmo tempo do BES e do conselho de administração da Eurofin.

As ligações da Eurofin a Moreira Rato

Quando Moreira Rato deixou o cargo de sócio gerente da Nau Capital para ser diretor executivo da Morgan Stanley, o fundo foi transferido para a Eurofin, onde para além de Machado da Cruz também aparece João Poppe como responsável pela gestão.

O nome do ex-responsável do IGCP também surge na investigação do Wall Street Journal. João Moreira Rato, que deixou de gerir a dívida pública portuguesa para se juntar à equipa de Vítor Bento nos últimos dias do BES, foi responsável por um fundo de investimento londrino - o Nau Capital - criado com 200 milhões de euros financiados pelo Banco Espírito Santo. O outro responsável do fundo sedeado em Londres era João Poppe, sobrinho de Salgado e antigo vice-presidente do BES entre 2001 e 2007, especializando-se em produtos financeiros derivados e gestão de fortunas.

Quando Moreira Rato deixou o cargo de sócio gerente da Nau Capital para ser diretor executivo da Morgan Stanley, o fundo foi transferido para a Eurofin, onde para além de Machado da Cruz também aparece João Poppe como responsável pela gestão.

Segundo o Wall Street Journal, as ligações do BES à Eurofin são uma das pistas para a investigação que se segue sobre a hecatombe financeira e as irregularidades financeiras do Grupo Espírito Santo.