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BCE insiste em subir juros, Gusmão alerta para sufoco com os empréstimos bancários

O eurodeputado do Bloco diz que se trata de um “regresso aos tempos de Trichet: subir taxas de juro até conseguir uma recessão".
José Gusmão.
José Gusmão. Foto Parlamento Europeu.

Na quinta-feira passada, foram divulgadas as atas da última reunião a 26 e 27 de outubro do Banco Central Europeu (BCE). Elas mostram que se manterá a decisão de uma política monetária mais restritiva, mesmo que se concretize uma “recessão suave”. A subida das taxas de juro só terá uma pausa caso se verifique uma recessão “prolongada e profunda”.

O eurodeputado José Gusmão reagiu a esta notícia, dizendo que se trata de um “regresso aos tempos de Trichet: subir taxas de juro até conseguir uma recessão. Se a coisa ficar muito má, então travar. É preciso ser mesmo muito credível para defender esta política e não ser imediatamente demitido. Ou então ser "independente".”

Desde julho, já ocorreram duas subidas consecutivas em 75 pontos-base das taxas de juro de referência. A taxa de referência subiu para 2% e a taxa de remuneração de depósitos dos bancos comerciais para 1,5%.

A próxima reunião de decisão dos banqueiros centrais será em dezembro e não se sabe ainda a dimensão da próxima subida. Para além disso, também se avançará com a redução dos ativos no balanço do BCE, isto é, a carteira de títulos de dívida pública e privada. Entre 24 de junho e 18 de novembro, o aperto quantitativo reduziu a carteira de 4.964 mil milhões de euros para 4.945 mil milhões de euros. Só agora se avançará com um ciclo de redução acelerada. 

Esta segunda-feira, Christine Lagarde, presidente do BCE, esteve no Parlamento Europeu a responder a questões dos eurodeputados pertencentes à Comissão de Assuntos Económicos e Monetários. Defendeu a continuação da subida das taxas de juro e alertou que os governos devem conter os gastos de despesa pública para não criar supostas novas rondas de pressão inflacionista. 

Em resposta, Gusmão sublinhou que “O sufoco com os empréstimos bancários já se está a sentir. Quando daqui a uns meses o incumprimento se materializar em massa, vamos ver se os gastos públicos não vão ser chamados a salvar a banca. E vamos ver quem responde por esta insanidade”. 

Referia-se aos anúncios do Banco de Portugal da semana passada sobre a dificuldade de pagamento de empréstimos tanto por particulares como por empresas. Por exemplo, uma em cada dez pessoas com crédito à habitação gastará mais de 40% do seu salário com a prestação.

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