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Banco de Portugal alerta para maiores dificuldades de pagamento dos empréstimos

No final do próximo ano, uma em cada dez pessoas com crédito à habitação gastará mais de 40% do seu salário com a prestação, prevê o Banco de Portugal. E um quarto das empresas estará em situação vulnerável face aos créditos que contraíram.
Foto de Paulete Matos.

Esta quarta-feira o Banco de Portugal (BdP) publicou o seu Relatório de Estabilidade Financeira semestral e, como seria de esperar, um dos temas de destaque são as consequências da subida das taxas de juro para os particulares e as empresas.

Por um lado, reconhece que há uma subida substancial dos encargos com os empréstimos à habitação e o peso que assumem no rendimento dos particulares. Pode ler-se no relatório: “Estima-se que em dezembro de 2023, 11% dos contratos de crédito à habitação passarão a ter um rácio entre a prestação e o rendimento (LSTI, ‘loan service-to-income’) superior a 40%”.

Se em junho este valor era de 5%, no final do próximo ano uma em cada dez pessoas com crédito à habitação gastará mais de 40% do seu salário com a prestação. Isto deve-se à diminuição do rendimento real por via da inflação e ao aumento das prestações pela escalada da Euribor (taxa de juro de referência). Em Portugal a maioria dos créditos à habitação é de taxa variável, mais de 90%.

Em termos de exposição do sistema bancário, isto é, o peso destes créditos mais arriscados por eventuais incumprimentos, é de 16,8% do seu stock de crédito. Já em relação aos empréstimos que verão um agravamento mais expressivo das prestações (superior a 150 euros), estes representam 43,8%.

Por outro lado, também as empresas são confrontadas com maior dificuldade de serviço à dívida. O BdP avança que mais de 25% ficará numa posição vulnerável, isto é, se o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) for negativo ou se o EBITDA for mais de metade dos encargos com os empréstimos.

Esta pressão será sentida de forma diferente no tecido empresarial. As microempresas serão as mais afetadas enquanto as pequenas parecem estar numa posição mais confortável, e o setor do alojamento e da restauração será o mais prejudicado.

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