Bancos sobem juros aos créditos, mas não os que pagam pelos depósitos

26 de outubro 2022 - 18:56

Enquanto registam lucros extraordinários, os bancos portugueses estão a alargar a diferença entre os juros que cobram pelos empréstimos e os que pagam pelos depósitos.

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Foto de Paulete Matos.

Nos últimos meses, a banca portuguesa está a aumentar as taxas de juro que cobra pelos empréstimos que concede aos clientes. Isso acontece, essencialmente, em consequência da política monetária prosseguida pelo Banco Central Europeu (BCE), que influencia as condições dos empréstimos de todo o setor bancário dos países da Zona Euro.

O BCE tem vindo a aumentar as taxas de juro de referência com o objetivo de tornar o crédito mais caro e desencorajar novos empréstimos, pretendendo com isso reduzir o investimento e o consumo agregados e conter a inflação. Esta estratégia reflete-se no custo dos novos empréstimos: com a subida da Euribor, no caso dos empréstimos à habitação, as taxas de juro cobradas na compra de casa passaram de 0,81% em janeiro para 2,01% em agosto, de acordo com o Banco de Portugal. Trata-se de uma subida expressiva de mais de um ponto percentual em poucos meses.

No caso dos empréstimos ao consumo, a média das taxas de juro praticadas pelos bancos em Portugal passou de 7,76% em janeiro para 7,93% em agosto, bem acima da média da Zona Euro (6,01%). Também para as empresas têm crescido as taxas que os bancos cobram pelos empréstimos, sobretudo para montantes inferiores a 1 milhão de euros.

No entanto, a subida dos juros parece estar a acontecer apenas na concessão de empréstimos. Ou seja, embora os bancos tenham aumentado os juros que cobram aos clientes pelos empréstimos que lhes concedem, não estão a aumentar os juros que são pagos pelos bancos aos clientes pelos depósitos a prazo.

O Expresso analisou os juros oferecidos por alguns dos principais bancos que operam em Portugal para depósitos a prazo. Na CGD, o valor da taxa oscila entre 0,01% e 0,02%. O Santander pratica uma taxa de 0,01% em depósitos até 5 anos. Já o Crédito Agrícola aplica taxas de 0,012% a 0,175% em depósitos a mais de um ano, enquanto o Novo Banco paga taxas de 0,39% a 0,59% em depósitos a 1 ano.

Ainda de acordo com os dados do Banco de Portugal, a taxa de juro dos novos depósitos em Portugal continua a ser bastante inferior à da Zona Euro. Na verdade, em agosto, a taxa paga pelos bancos reduziu-se para 0,07%, contrastando com os 0,35% pagos em média na Zona Euro. Ou seja, enquanto registam lucros extraordinários, os bancos portugueses estão a alargar a diferença entre os juros que cobram pelos empréstimos e os que pagam pelos depósitos.