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“Lucros excessivos da banca devem reverter para apoio a famílias com crédito à habitação”

Catarina Martins lembrou que, com o aumento das taxas Euribor, “há muitas famílias a sentirem uma grande dificuldade com o aumento da prestação da casa, que se junta às dificuldades que as famílias têm no arrendamento”.
Catarina Martins, foto de Miguel Lopes, Lusa.

Em entrevista ao programa Hora da Verdade, do PÚBLICO/Renascença, a coordenadora do Bloco de Esquerda referiu que “Portugal tem um problema muito grave de inflação na habitação, no arrendamento e no preço das casas”. Esta é uma situação que “não vêm deste ciclo, já vinha de antes, mas está a ser agravado”, explicou.

Catarina assinalou que, com o aumento das taxas Euribor “há muitas famílias a sentirem uma grande dificuldade com o aumento da prestação da casa, que se junta às dificuldades que as famílias têm no arrendamento”.

Neste contexto, o Bloco vai “propor medidas que estão ao alcance do Governo em Portugal”, e espera que os outros partidos também se cheguem à frente para proteger o direito à habitação.

“Queremos garantir que as casas de habitação própria permanente não podem ser penhoradas. E achamos que é possível apoiar as pessoas que têm crédito à habitação através dos próprios lucros excessivos da banca, que teve neste ano e meio 2.800 milhões euros de lucros, já depois de pagar todos os impostos”, apontou a dirigente bloquista.

De acordo com Catarina, há “lucros muito avultados do sistema financeiro que podem e devem reverter para programas que apoiem as famílias com crédito à habitação”.

Sobre a possibilidade avançada pelo primeiro-ministro de abater créditos e deduzir no IRS, a coordenadora do Bloco referiu que “é muito poucochinho”.

“Em prestações que estão a aumentar 100 euros por mês, dizer que se vai reduzir os juros no IRS é uma gota de água. As famílias não conseguem nem chegar ao fim do mês”, alertou Catarina.

Sublinhando não querer “uma situação de incumprimento generalizado que é péssimo para as pessoas perdem a sua casa e para a economia como um todo”, a dirigente bloquista defendeu que “é preciso agir já sobre as prestações das casas”.

Mas, face aos “preços da habitação proibitivos” que se registam em Portugal, “há outras medidas que é preciso avançar para baixar os custos da habitação”.

António Costa parece "advogado da Galp"

No que respeita à tributação dos lucros excessivos das empresas, Catarina afirmou que “o primeiro-ministro português tem sido ultrapassado pela esquerda pelos líderes de direita de vários países europeus e até da Comissão Europeia”.

“Ouço António Costa a falar sobre o imposto sobre os lucros excessivos e parece que estou a ouvir o advogado da Galp”, frisou a coordenadora bloquista.

Catarina realçou ainda que “cada momento que passa sem taxar estes lucros é um momento que está a premiar estas práticas especulativas”. “Além disso está a sair dinheiro de Portugal. Estes lucros excessivos estão a ser distribuídos por quem põe o seu dinheiro nos offshores desta vida e em Portugal não fica nada”, acrescentou.

Referencial para atualização dos salários da função pública tem de ser inflação

Catarina recordou que “o primeiro-ministro disse que o referencial para a atualização dos salários da função pública era a inflação do ano anterior”.

“Agora que a inflação é mais alta, afinal já não é esse o referencial. Isso quer dizer que os funcionários públicos já perderam um salário no ano e para o ano vão perder ainda mais”, lamentou a dirigente bloquista.

Catarina vincou que “quando vemos escolas sem professores ou que não há médico de família é bom saber que é porque, pura e simplesmente, os salários neste momento são tão baixos que não pagam a renda de uma casa”.

E isso “é péssimo para os trabalhadores do Estado e é péssimo para os trabalhadores do privado, porque se dá um sinal a toda a economia de salários estagnados”, continuou. É

A coordenadora do Bloco avançou que “há um empobrecimento generalizado da população em Portugal feito pela inflação, com dois argumentos que são falsos”: “O primeiro argumento é achar que atualizar salários e pensões pode provocar inflação”, rematou.

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