Balões vermelhos assinalam 75 anos de limpeza étnica na Palestina

15 de maio 2023 - 15:48

No 75º aniversário da Nakba, centenas de balões vermelhos pintam as ruas de Lisboa para recordar “o sangue derramado pelos crimes de guerra israelitas, as aldeias e cidades destruídas em 1948 e a limpeza étnica que continua nos nossos dias”.

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Foto do Comité de Solidariedade com a Palestina/campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) Portugal.

Em cada um dos balões, consta o nome de uma das mais de 500 cidades e aldeias palestinianas destruídas ou despovoadas durante a Nakba, com o propósito de impedir o regresso dos habitantes expulsos.

Em comunicado, o Comité de Solidariedade com a Palestina/campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) Portugal explica que foi sobre a “’catástrofe’ que se abateu sobre a Palestina em 1948”, que “nasceu o Estado de Israel, judeu supremacista e colonial”. 

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Conforme é sublinhado no documento, “a limpeza étnica durante a Nakba foi uma campanha deliberada, planeada e sistemática, levada a cabo para criar aquilo a que organizações de direitos humanos como a Amnistia Internacional, a Human Rights Watch, a Al-Haq e a B'Tselem chamam ‘uma supremacia judaica’ na Palestina histórica, que era esmagadoramente povoada por árabes palestinianos antes de 1948”.

O coletivo lembra que entre 750 mil e um milhão de árabes palestinianos foram empurrados para o exílio.

Mas “a violência da colonização e do apartheid israelita” permanece até aos nossos dias, com “a limpeza étnica das comunidades palestinianas, o roubo de terras palestinianas para a construção de colonatos judaicos nos territórios ocupados e no interior do atual Israel; a destruição de casas e de terras agrícolas palestinianas; a revogação dos direitos de residência; expulsões; engenharia demográfica; e massacres periódicos”.

Inclusive, “Israel está atualmente a tentar realizar a maior limpeza étnica em massa desde 1968, visando cerca de 1.300 palestinianos que vivem em oito aldeias na zona de Masafer Yatta, a sul de Hebron”, alerta o Comité de Solidariedade com a Palestina/BDS Portugal.

Os ativistas referem que “o que está a acontecer agora em Masafer Yatta é um exemplo da Nakba em curso”. “Esta repete-se ainda hoje em Al-Naqab, em Jerusalém, no Vale do Jordão e em todo o território sob controlo israelita. Os palestinianos estão a ser obrigados a abandonar as suas casas devido à violência patrocinada pelo Estado às mãos dos soldados israelitas, da polícia israelita e dos colonos israelitas fascistas e armados”, escrevem.

Mas se a limpeza étnica e os sucessivos ataques nunca cessaram, também a resistência popular palestiniana não esmorece. “Em Jenin, Beita, Masafer Yatta, Gaza, Vale do Jordão, Sheikh Jarrah, Silwan e Al-Naqab, em toda a Palestina histórica e no exílio, os palestinianos nunca pararam de lutar contra o regime opressor de Israel”, lê-se no comunicado.

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