O primeiro debate parlamentar com o primeiro-ministro da nova sessão parlamentar foi também o primeiro dia de Andreia Galvão enquanto deputada, em substituição temporária de Mariana Mortágua durante a missão humanitária da flotilha que navega até à Faixa de Gaza.
E foi justamente o genocídio em Gaza o primeiro tema da intervenção da deputada bloquista, começando por saudar o Governo por se ter juntado ao reconhecimento do Estado da Palestina e lembrar que “o governo de Netanyahu insulta Portugal acusando-o de ser apoiante do terrorismo, tal como acusa a ONU e António Guterres, Mariana Mortágua e a flotilha humanitária que leva alimentos e bens essenciais a Gaza”. Andreia Galvão questionou Montenegro sobre se este gesto “implica sua ação contra o genocídio e sanções portuguesas para garantir do direito dos palestinianos à sua terra”.
Em seguida, Andreia Galvão confrontou Montenegro com a “asfixia social que se sente todos os dias no preço da alimentação e bens essenciais, no salário e no preço da casa”. No que toca a habitação, com a subida de 17% do preço das casas e de 10% no das rendas num só trimestre, a deputada bloquista apontou que “a medida do governo para responder a esta crise seja o fim do limite do aumento das rendas”.
“Com a generalização do trabalho precário dos jovens, como é possível que a medida do governo seja o ataque à segurança laboral? Como é possível, numa altura em que jovens emigram cada vez mais à procura de uma vida melhor, que a medida do Governo seja a eternização o trabalho temporário?”, prosseguiu Andreia Galvão, concluindo que “baixos salários, habitação inacessível e instabilidade: esta é a asfixia da democracia”.
Na resposta, Montenegro acusou o Bloco de ter uma “posição contra tudo aquilo que é dinâmico na sociedade portuguesa”. E repetiu as medidas anunciadas no princípio do debate sobre o aumento da dedução das rendas no IRS dos inquilinos e a redução da taxa de IRS pago pelos senhorios.
Andreia Galvão concluiu o debate dizendo que o primeiro-ministro confirmou que o preço as casa vai continuar alto e que os salários vão continuar baixos. “Não é surpreendente mas asfixia o nosso povo. Em nome do Bloco de Esquerda posso dizer que cá estaremos para enfrentá-lo”