Atores norte-americanos entraram em greve

14 de julho 2023 - 19:11

A última proposta negocial dos grandes estúdios foi considerada “insultuosa” e os 160.000 atores filiados no sindicato SAG-AFTRA juntam-se agora à greve que os argumentistas norte-americanos estão a fazer desde maio.

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Atores norte-americanos com cartazes sobre a greve. Foto do SAG-AFTRA.
Atores norte-americanos com cartazes sobre a greve. Foto do SAG-AFTRA.

Os atores de cinema dos grandes estúdios norte-americanos, de televisão e das plataformas de streaming representados pelo sindicato SAG-AFTRA iniciaram à meia-noite desta sexta-feira uma greve por decisão unânime da sua direção. A greve teve início após terem recebido uma proposta do patronato considerada “insultuosa” e de no mês passado os seus 160.000 filiados terem decidido com 98% votos a favor que entrariam em greve se a equipa negocial não chegasse a um acordo.

Os atores juntam-se desta forma aos argumentistas de cinema e televisão que estão em greve desde maio, sendo a primeira vez que os dois setores conjugam uma greve em 63 anos. As reivindicações de ambos os grupos de trabalhadores nessa altura passavam então por garantir pagamentos mais justos por o seu trabalho no cinema passar a ser também reproduzido nas televisões. Agora, para além de quererem aumentos do salário base, reivindicam também aumento dos rendimentos a que têm direito por o seu trabalho ser reproduzido nas plataformas de streaming. Para além disso, querem ter garantias que as suas funções não serão substituídas por meios de inteligência artificial.

Os efeitos da greve dos 11.500 argumentistas do WGA são já visíveis nas cadeias de televisão que, por exemplo, tiveram de interromper os mais conhecidos talks shows, e serão ainda mais sentidos com a entrada na grelha do outono, com parte do que estava programado a ter sido interrompido e com os canais a voltarem-se para os reality shows. Também grandes produções cinematográficas estão paradas. Com a greve dos atores, estes efeitos irão acentuar-se.

A atriz Fran Drescher, presidente do SAG-AFTRA, diz estar “chocada pela forma como pessoas com as quais temos trabalhado estão a tratar-nos. Não consigo acreditar, sinceramente, quão distantes estamos em tantas coisas, como eles alegam pobreza e que estão a perder dinheiro a torto e a direito enquanto dão centenas de milhões aos seus CEOs. É nojento.”

Teamsters preparam greve e estão solidários com os atores

À beira da greve, já votada por 97% dos seus 340.000 membros, estão igualmente os motoristas da UPS, a maior empresa de transportes dos EUA, representados pelo sindicato International Brotherhood of Teamsters. O prazo para alcançar um acordo, neste caso, é o final deste mês.

E os Teamsters fizeram questão de emitir um comunicado em solidariedade com as greves de atores e de argumentistas. Num comunicado assinado pelo seu presidente, Sean O’Brien, e pela representante da divisão dos motoristas do setor do cinema, Lindsay Dougherty, garantiram estar ao lado destes “na sua luta por um contrato justo” e por uma “fatia justa da riqueza que geram”, responsabilizando os “estúdios gananciosos” pela paralisação.