Ativistas pela justiça climática interrompem conferência da Galp

08 de junho 2022 - 18:49

Para denunciarem a contradição entre os investimentos nos combustíveis fósseis e o discurso de transição energética, ativistas do Climáximo e Scientist Rebellion interromperam o discurso do ministro do Ambiente na "Electric Summit".

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Ação de protesto na conferência desta quarta-feira. Foto Climáximo.

A conferência desta quarta-feira organizada pela Galp e pelo grupo Cofina (Jornal de Negócios, Sábado e CMTV) sobre o futuro da energia foi palco de uma ação de protesto por parte de dois coletivos pela justiça climática. Ativistas do Climáximo e do Scientist Rebellion estavam presentes entre o público e interromperam a intervenção do ministro do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, denunciando "os planos dos políticos e das empresas para aumentar os combustíveis fósseis na economia portuguesa e levar o planeta ao caos climático". Os ativistas presentes empunharam cartazes onde se lia “1.5ºC vs. Lucro”, “1.5ºC vs. Gás”, “1.5ºC vs. PS”, “1.5ºC vs. Galp” e “1.5ºC vs. Capitalismo”, em referência ao valor do aumento da temperatura média global até ao fim do século definido como objetivo no Acordo de Paris e que nem os mais otimistas acreditam já que seja possível atingir, dada a inação dos governos em tomarem medidas concretas nesse sentido.

De acordo com o comunicado destes coletivos, a ação integra-se no âmbito da campanha "Gás é Andar para Atrás" e serviu também para relembrar que "o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 prevê esgotar o orçamento de carbono de Portugal já em 2026, se não for antes". Por isso, acrescentam os ativistas, "os discursos de descarbonização em 2050 só servem para esconder a informação verdadeira de que o governo e as empresas vão garantir o colapso climático já com as emissões desta década".

"O que está a acontecer é uma expansão energética e não uma transição"

"O governo já declarou a sua intenção de aumentar a importação de gás fóssil. A Galp já anunciou que vai investir tanto nos combustíveis fósseis como nas energias renováveis nos próximos anos, o que justifica a sua parceria com a Savannah Resources, a empresa de extração mineira que detém as concessões de lítio no Barroso. O Carlos Moedas quer pôr mais carros na cidade e é aliado do governo para construir um novo aeroporto em Lisboa", acusam os ativistas. Quer Moedas quer David Archer, o CEO da Savannah Resources, estavam presentes na conferência, a par do CEO da GALP, Andy Brown e do Secretário de Estado do Ambiente e Energia, João Galamba.

Para os ativistas, o cumprimento dos objetivos por parte de Portugal implica um corte de 10% nas emissões todos os anos "e nem o governo nem a Galp tem planos para isto para este ano ou qualquer outro ano". Pelo contrário, defendem, "o que está a acontecer é uma expansão energética e não uma transição. Os políticos estão a mentir. As empresas estão a mentir. Sabem que estão a mentir. E sabem que nós sabemos que estão a mentir. Esta conferência monstra a colaboração direta do governo e das empresas na divulgação da mentira", concluem.

A discussão das próximas ações de luta pela justiça climática e a transição justa vai prosseguir entre 6 e 10 de julho em Melides, Grândola, no Acampamento 1.5, promovido por várias associações ligadas ao movimento pela justiça climática.