Há cerca de 2 meses que um grupo de oito ativistas do grupo Palestine Action iniciou uma greve de fome por tempo indeterminado nas prisões britânicas. Não protestam contra as suas condições na prisão, mas sim contra o genocídio que Israel está a cometer em Gaza e contra a arma legal que está a ser usada para os prender durante anos: uma secção da Lei do Terrorismo de 2000 do Reino Unido que, segundo eles e os seus advogados, está a ser mal aplicada para criminalizar o protesto político legítimo e proteger do escrutínio uma empresa estrangeira de armamento.
Uma das ativistas presas corre risco de vida e segundo as últimas notícias terá já perdido a capacidade de falar. Um comunicado divulgado ontem pelo grupo ativista Prisoners for Palestine (um coletivo liderado por prisioneiros no Reino Unido que representa todos aqueles detidos sob acusações relacionadas com a libertação da Palestina), diz que Heba Muraisi, que está atualmente no 58º dia de greve de fome numa prisão do Reino Unido, “ainda permanece forte, mas está na zona de perigo e a perder a capacidade de falar e pensar com clareza”, sendo por isso urgente que esteja “perto de sua família neste momento”. De acordo com o comunicado, Heba Muraisi foi transferida em outubro de Brozefield para a prisão HMP New Hall em Wakefield, no norte da Inglaterra, a quase 160 quilômetros de distância dos seus familiares e amigos, num ato classificado como "vingativo” e destinado a “separá-la de outros grevistas de fome, de modo a desgastar sua vontade de resistir". O comunicado acrescenta que Heba não vê sua família há mais de quatro meses.
Heba Muraisi está entre os quatro prisioneiros que continuam em greve de fome, enquanto os restantes ativistas que estiveram em greve de fome foram forçados a interromper o seu protesto depois de serem hospitalizados devido à deterioração da saúde. Para além de Heba, três outros ativistas presos permanecem em greve de fome (Teuta Hoxha, Kamran Ahmed e Lewie Chiaramello) sendo que, de acordo com o Prisioners for Palestine, Teuta Hoxha (de 29 anos, a aguardar julgamento há 13 meses) também já não consegue resistir, “não consegue ficar de pé sem desmaiar”, experimenta “níveis crescentes de confusão mental” e está “virtualmente acamada”. A irmã de Teuta disse à Sky News que ela sofre de dores de cabeça contínuas, problemas de mobilidade e que já não consegue sequer colocar-se de pé. No início deste mês, dois dos ativistas, Qesser Zuhrah e Amu Gib, interromperam as suas greves de fome após 48 dias por razões de saúde e foram internados no hospital.
Quatro dos membros do grupo Palestine Action são acusados de terem participado no assalto a uma empresa privada de fabrico de armas israelita em agosto de 2024 e os outros quatro são acusados de invadir a base aérea da RAF Brize Norton, em junho de 2025, onde alegadamente terão provocado danos no valor de milhões de libras a dois aviões militares. Os advogados que representam os oito ativistas envolvidos na greve de fome relataram que o ministro da Justiça do Reino Unido, David Lammy, recusou o seu pedido de reunião urgente e que, por isso, vão iniciar um processo judicial contra o governo do Reino Unido pela sua recusa em reunir com eles.
No passado dia 23, Greta Thunberg, segurando um cartaz com a mensagem “Eu apoio os prisioneiros da Palestine Action. Eu oponho-me ao genocídio”, foi detida em Londres por participar numa manifestação em defesa destes ativistas presos em greve de fome e acusada de atos de terrorismo por apoiar a Palestine Action.