Ativistas climáticos multados por resistirem à desocupação policial

16 de dezembro 2022 - 20:18

Os quatro ativistas que resistiram pacificamente à desocupação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa pela polícia, ali chamada pelo diretor, prometem que a luta vai continuar.

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Ativistas falaram à imprensa à saída do Campus de Justiça. Foto Miguel A. Lopes/Lusa

O juiz António Calado leu esta sexta-feira a sentença do processo da resistência à desocupação policial da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa por parte do movimento "Fim ao Fóssil: Ocupa!". E condenou os quatro ativistas detidos na noite de 11 de novembro a uma multa de 60 dias, no valor de cinco euros por dia, descontando os cinco euros do dia em que estiveram detidos, num total de 295 euros, alegando que "independentemente das causas que cada um abraça, tem que o fazer de acordo com as regras da sociedade".

Ao contrário do que ocorreu noutras escolas e faculdades ocupadas, o diretor da Faculdade de Letras, Miguel Tamen, chamou a polícia para tirar de lá os estudantes, que resistiram pacificamente à musculada ação policial.

Ana, Nemo, Artur e Mateus saíram do Campus de Justiça inconformados por verem um juiz a justificar aquela atitude do diretor da faculdade. “Se querermos defender o estado de direito e a democracia então qual a legitimidade de um diretor que chama a polícia para remover alunos que estão a protestar pacificamente, numa luta que tem e que vai ter de ser de todos?”, questionou Ana Carvalho, citada pela agência Lusa.

“O diretor, quando a cidade de Lisboa estava inundada não fechou a faculdade. Ou não lhe interessou ou não achou motivo válido, mas quando estávamos a protestar queria fechar a faculdade”, lamentou a jovem ativista, prometendo que “a luta não só vai como tem de continuar. Não podemos continuar a ignorar a maior crise das nossas vidas”.

Nos últimos dias, este grupo de ativistas recebeu inúmeras mensagens de solidariedade e na quinta-feira ao início da noite foi promovida uma acampada dentro da Faculdade de Letras para reafirmar esse apoio. À porta do Campus de Justiça, juntaram-se mais de uma dezena de jovens entoando palavras de ordem como “lutar pelo clima não é crime” ou “esquadra, porrada, polícia e julgamento, não assustam mais que dois graus de aquecimento”. À saída do tribunal, os ativistas disseram ainda não ter decidido se recorrerão da multa que lhes foi aplicada.