Na maior feira e exposição de jatos privados da Europa, organizada pela associação europeia do setor, realizou-se esta terça-feira uma ação de protesto climático, com ativistas da Greenpeace, Stay Grounded, Extinction Rebellion, Scientist Rebellion e outros grupos de 17 países a entrarem a bordo dos jatos e outros a acorrentarem-se nas escadas de acesso aos aviões, impedindo os visitantes de lá entrarem.
Nos cartazes que empunhavam, visualmente semelhantes aos dos avisos nos maços de tabaco, podia ler-se que os jatos provados "queimam o nosso futuro", "matam o nosso planeta" ou "alimentam a desigualdade".
"Durante mais de 20 anos, os super-ricos da Europa abriram champanhe à porta fechada na EBACE, enquanto compram os mais recentes jatos privados tóxicos. As vendas de jatos privados estão a disparar e, com elas, a contribuição para a crise climática - enquanto as pessoas mais vulneráveis sofrem os danos. É mais do que tempo para os políticos acabarem com esta poluição injusta e excessiva e proibirem os jatos privados", defendeu Klara Maria Schenk, responsável pela campanha da Greenpeace chamada "Mobilidade para Todos".
Por seu lado, Mira Kapfinger, da rede "Stay Grounded" - de que em Portugal faz parte a campanha ATERRA -, aponta que "enquanto muitos já não conseguem pagar a comida ou a renda, os super-ricos destroem o nosso planeta, a menos que lhe ponhamos termo. Para além de proibir os jatos privados, é também altura de acabar com os sistemas de milhas aéreas que recompensam os voos frequentes e, em vez disso, tributar os passageiros frequentes".
Pelos anfitriões do protesto falou Joël Perret, do Extinction Rebellion de Genebra, lembrando que ali se encontra "um dos aeroportos com o maior tráfego de jatos privados na Europa. É aqui que a mudança tem de começar: precisamos de reduzir drasticamente a aviação para travar a catástrofe climática e a destruição da vida. O primeiro passo é proibir desde já os jatos privados", defendeu este ativista.
No ano passado, a rota entre os aeroportos de Lisboa e Tires, com uma distância de apenas 20,37 quilómetros, colocou Portugal no segundo lugar do pódio dos países europeus com rotas de aviação privada com maior intensidade de emissões de dióxido de carbono (CO2).
Este ano a venda de jatos privados atingiu novo recorde e calcula-se que a frota global destes aviões tenha duplicado na última década. A indústria estima o valor total de aviões vendidos em 241 mil milhões de dólares nos últimos de anos. Estudos científicos concluíram que estes voos privados emitem dez vezes mais CO2 por passageiro do que um voo comercial, além de uma quantidade desproporcional de micropartículas, sem falar no ruído. Grande parte dos utilizadores são muito ricos e recorrem aos jatos privados para pouparem poucas horas de viagem face às alternativas disponíveis. Estes jatos privados não são em geral tidos em conta nas regulamentações europeias para combater a emissão de gases com efeito de estufa, apesar de serem uma das formas mais poluentes, desiguais e desperdiçadoras de energia quando se fazem as contas ao custo por passageiro por quilómetro.
Em dezembro do ano passado, o Bloco levou a debate no Parlamento um projeto de lei para limitar a aterragem e descolagem de jatos privados em Portugal. A proposta bloquista foi chumbada pelo PS, PSD, Chega e Iniciativa Liberal, com a abstenção do PCP.