No quinto dia do ataque de Israel ao Irão há relatos de fuga em massa da população de Teerão enquanto se sucedem as explosões. As autoridades iranianas contabilizavam no domingo pelo menos 224 mortes e mais de um milhar de feridos. Do lado israelita, os dados oficiais desta terça-feira apontavam para 24 mortes e 647 feridos pelos mísseis lançados como resposta a estes ataques. O exército afirma ainda que apenas 35 mísseis iranianos passaram os escudos da defesa sionista, ao passo que o governo diz ter recebido 18.766 queixas de estragos, a grande maioria em edifícios e cerca de mil em veículos.
Israel reivindica estar a fazer “vários ataques” de “grande envergadura”, alegando serem contra “alvos militares”, nomeadamente “dezenas de infraestruturas de armazenamento e lançamento de misseis” e de drones. Anunciou igualmente ter morto Ali Shadmani, que identificou como sendo o atual chefe do Estado-Maior das forças armadas iranianas depois de ter assassinado o anterior ocupante do cargo há quatro dias, junto com várias outros líderes militares e cientistas.
Por sua vez, o Irão informava, através de declarações do general Kiumars Heidari à agência noticiosa IRNA, que iria “intensificar nas próximas horas” os ataques a Israel, devendo-se esperar que “uma nova vaga de centenas de drones” consiga atingir aquele país. Os Guardas Revolucionários ripostaram as declarações de Israel anunciando na televisão ter “atingido o o centro de inteligência militar do regime sionista, Aman, e o centro de planeamento de operações terroristas do regime sionista, o Mossad, em Telavive” que estaria “atualmente em chamas”.
Ataque à televisão pública iraniana, ciberataque a banco
Um dos alvos de segunda-feira passada tinha sido a televisão estatal iraniana IRIB, onde foram assassinados vários dos seus funcionários, três segundo uma das fontes oficiais.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, assumiu o ataque, afirmando que “a autoridade de difusão de propaganda e incitação do regime iraniano foi atacada pelas Forças de Defesa de Israel depois de um aviso de evacuação generalizada dos residentes da zona”. Mas o exército depois disso veio alegar que atacou um “centro de comunicações” que teria supostamente “fins militares”, acusando a atividade civil de servir de cobertura a estes.
Esta terça-feira, houve um ataque de tipo diferente a outro organismo civil. O Banco Sepah foi vítima de um ciberataque, de acordo com a agência noticiosa Fars, causando perturbações nos serviços prestados.
G7 apoia bombardeamentos sionistas do Irão
Os líderes do grupo de países mais poderosos conhecido como G7 colocaram-se ao lado dos ataques israelitas ao Irão. Numa declaração conjunta, escreveram que o Estado sionista “tem o direito de defender-se” e acusaram o país atacado de ser “a principal fonte de instabilidade” no Médio Oriente.
Quase exatamente as mesmas palavras utilizadas por Ursula von der Leyen para mostrar o seu apoio a Netanyahu. Ao mesmo tempo que o dizia, a presidente da Comissão Europeia acrescentava que “a Europa insta todas as partes a exercer a máxima contenção, desescalada imediata e abster-se de represálias”.
Na sua deslocação ao Parlamento Europeu, o rei Abdallah II da Jordânia advertia que “com a expansão por Israel da sua ofensiva ao Irão é impossível dizer onde as fronteiras desta campo de batalha irão parar”, alertando que a guerra poderá provocar uma “perigosa escalada das tensões” na região e “para além dela” e que o ataque israelita “é uma ameaça às pessoas em todo o lado”.
Antes da visita, já perto de duas dezenas de países árabes e muçulmanos tinham lançado um comunicado conjunto em que defendiam “a urgência de criar uma zona sem armas nucleares e outras armas de destruição massiva no Médio Oriente, aplicando-se a todos os Estados da região”, o que abrangeria também o desarmamento de Israel.
Já na cimeira do G7 em Kananaskis, no Canadá, Trump tratou de anunciar depois da tradicional fotografia de grupo que iria sair um dia antes do final da reunião por causa da guerra, não esclarecendo os motivos particulares da decisão apenas dizendo que tinha de “regressar tão cedo quanto possível”. Vários dos chefes de Estado que se tinham deslocado sobretudo para se encontrar com ele, como os presidentes do Brasil, da Ucrânia e a do México, ficaram assim sem conseguir discutir os temas bilaterais que queriam.
Mas ficou sobretudo a pairar a frase que o presidente dos EUA tinha publicado na sua rede social, o Truth Social, de que “toda a gente devia evacuar imediatamente Teerão”. Na mesma mensagem escreve que “o Irão deveria ter assinado o “acordo” que lhes disse para assinarem”, classificando o que está a suceder como uma “vergonha” e “desperdício de vidas humanas” e vincando que “o Irão não pode ter a arma nuclear”.
Depois disso, declarou ainda que não pretendia um cessar-fogo, mas “um fim verdadeiro” do conflito que passaria por uma “rendição total” de Teerão, não especificando o que queria dizer com isso.
O genocídio continua em Gaza, mata-se quem apenas procura comida
Ao mesmo tempo que ataca o Irão, o exército israelita continua o genocídio em Gaza. Esta terça-feira voltou a ocorrer um massacre de pessoas que se juntaram para receber ajuda humanitária. Desta feita foi no sul de Gaza, na rotunda de Al Tahlia, e foram assassinadas 51 pessoas e perto de 200 ficaram feridas, das quais 20 em situação muito grave, descrevem as autoridades de saúde locais.
Isto eleva o número de pessoas assassinadas para 400 em três semanas. E as agências da ONU consideram a iniciativa americano-sionista que distribui limitadamente alimentos no território como “uma armadilha mortal”. O exército israelita fala em “disparos de advertência” feitos contra pessoas que se teriam desviado das rotas a que estariam obrigadas.
Sem contar com os desaparecidos, o número confirmado de mortes causadas pelos ataques sionistas eleva-se agora a 55.400, havendo ainda 129.000 feridos.