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“Arnaut deixa-nos a responsabilidade de continuar a sua causa”

Catarina Martins sublinha que “devemos homenagem e gratidão” ao fundador do SNS. Leia aqui as reações ao falecimento de António Arnaut.
António Arnaut
António Arnaut. Foto Paulo Novais/Lusa.

“Lutou pela democracia, fundou o Serviço Nacional de Saúde e aos 82 anos continuava a defendê-lo como poucos. Morreu hoje António Arnaut, a quem devemos homenagem e gratidão. Deixa-nos a responsabilidade de continuar a sua causa: “restituir ao SNS a sua dignidade constitucional e a sua matriz humanista””, afirmou Catarina Martins nas redes sociais, em reação à notícia da morte do “pai do SNS” esta segunda-feira.

O ex-coordenador do Bloco de Esquerda, parceiro de Arnaut na escrita do livro "Salvar o SNS - Uma nova Lei de Bases da Saúde para defender a democracia”, destacou o papel de Arnaut para além da defesa do sistema de saúde que implementou em Portugal: “foi um insubmisso e permanente lutador pela liberdade, pela igualdade e pela justiça social, um incansável combatente pelos valores da República, da esquerda e do socialismo”, afirma João Semedo.

O Partido Socialista decretou luto partidário e colocou a meia-haste as bandeiras nas suas sedes, com António Costa a destacar que Arnaut "será indissociável da conceção e criação do Serviço Nacional de Saúde, grande conquista do Portugal de Abril". "Para a eternidade todos o recordaremos justamente como o pai do SNS. À sua esposa, filhos e netos envio um abraço fraterno", acrescenta o líder socialista na sua nota divulgada pela agência Lusa.

O Presidente da República lembrou António Arnaut como um "cidadão impoluto", que "foi e é um exemplo de democrata, de lutador pela liberdade, de socialista empenhado na solidariedade social". "Eu tive a honra de o condecorar com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e queria, como amigo, recordar com saudade a pessoa e agradecer-lhe tudo o que fez por Portugal", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas.

Para o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, Arnaut foi “um homem que personificava, como poucos, o conceito de ética republicana" e alguém que foi ”até ao último dia um cidadão empenhado e um militante ativo da causa dos direitos sociais, porque sabia bem que sem igualdade de oportunidades a liberdade não tem condições para ser exercida".

Dizendo-se “muito abalado” pelo falecimento “de um dos meus maiores amigos de há muito tempo”, Manuel Alegre descreveu António Arnaut como “o socialista mais genuíno que conheci", acrescentando que “a maior homenagem que se lhe pode fazer é cumprir o último apelo que António Arnaut fez: Salvar o SNS”.

Outro fundador do PS, António Campos, recordou “as reuniões clandestinas, aqui em minha casa e na casa dele” para formar as listas da oposição à ditadura nas eleições de 1969, lamentando a perda de “um homem de luta política e de princípios, como infelizmente há poucos”.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, disse à Lusa que o desaparecimento de António Arnaut “é uma grande perda para o país, não só pelo seu papel fundamental no Serviço Nacional de Saúde, mas por toda a sua atividade política, como grande defensor dos direitos, liberdades e garantias”. Lembrando o livro “Salvar o SNS”, recentemente publicado em conjunto com João Semedo, o bastonário destacou que Arnaut procurou sempre “puxar pela carroça com o objetivo de salvar o SNS”.
 
Também o ex-Diretor Geral de Saúde e atual presidente da Cruz Vermelha, Francisco George, destacou o feito de Arnaut ao colocar “Portugal no topo a nível internacional”, no que diz respeito à “saúde da população, em particular das mães e das crianças”, acrescentando que o ex-ministro “ia para a frente, não recuava, não estava sujeito a pressões, a interesses. Isto na perspetiva do interesse público, do interesse de todos os portugueses, no interesse dos mais pobres, mais vulneráveis”.

Para a Ordem dos Enfermeiros, “morreu um dos últimos homens bons e sérios da Saúde”. Na nota de pesar assinada pela bastonária Ana Rita Cavaco, pode ler-se que Arnaut “foi sempre um defensor e amigo dos enfermeiros”.

“A Briosa está de luto. Faleceu António Duarte Arnaut, sócio 116 da Associação Académica de Coimbra/OAF”, sublinhou também a nota de pesar do clube de que Arnaut “era um entusiasta e sócio fervoroso” .

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