Call-centers

Armatis fez despedimento coletivo e a seguir contratou em piores condições

15 de maio 2024 - 13:30

Dois meses depois do despedimento, a empresa volta a contratar trabalhadores para o mesmo local. Sindicato denuncia pressões para os trabalhadores assinarem alterações a contratos, “alterações instantâneas” dos horários e trabalho extra não pago.

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Call center
Call Center. Foto da CGTP.

Em comunicado, o SINTTAV, Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual, denuncia um conjunto de situações que caracteriza como uma “degradação” da relação laboral na Armatis.

Trata-se de uma empresa com sede em França, especializada no atendimento ao cliente e que em Portugal conta com cerca de 1.700 trabalhadores em call-centers em Lisboa, Porto e Guimarães. Foi neste último que, informa o sindicato, em fevereiro passado foi promovido um despedimento coletivo que atingiu “algumas dezenas de trabalhadores” cuja “maioria já tinha vínculo efetivo”. Sublinha-se que a situação era evitável e que a Armatis “procurou acelerar o processo com supostos «acordos amigáveis», isto é, colocar o trabalhador a aceitar o seu próprio despedimento sem mais um cêntimo a acrescentar na compensação determinada pela legislação”. Assim a empresa “libertava-se de cumprir todos os requisitos num processo de despedimento coletivo”.

Mas passados dois meses, a Armatis voltou a contratar trabalhadores para o mesmo local de trabalho, “alegadamente para prestarem serviço para um novo cliente, naturalmente num contexto de vínculos contratuais mais «apertados» em termos de condições de trabalho comparativamente com os trabalhadores despedidos”.

No mesmo documento, o SINTTAV afirma que os trabalhadores acusam a administração “de estarem a ser pressionados para assinarem alterações ao contrato de trabalho, sendo-lhes recusado o direito de acesso a cópia para antecipadamente conhecerem o teor das alterações e possíveis consequências”. Acrescenta-se que quem não assinar a alteração “leva com ameaça de alternativa de serviços e/ou horários em condições impossíveis de aceitação”, o que é, considera-se, um “método ágil de «promover» despedimento por iniciativa do trabalhador”.

Outra das situações que se regista diz respeito à escala de horário. Para além de não estar afixada nos termos da lei, os trabalhadores queixam-se de serem sistematicamente surpreendidos com alterações instantâneas em detrimento da organização da sua vida pessoal e familiar”. Também há críticas sobre as férias. Aí a denúncia é que “a gestão emite mapas em branco ou incompletos que, naturalmente, perante este incumprimento, quase ninguém tem condições para atempadamente planear com a família o direito ao merecido gozo de descanso”. Também se estará a impor a utilização de férias em cada dia feriado que ocorra.

Os trabalhadores reclamam ainda por ser “sempre muito difícil os trabalhadores terem condições para se desligarem do serviço exatamente na hora do final do seu período normal de trabalho”. Pelo que “praticamente todos os dias” os trabalhadores ficam “uns 15 ou mais minutos para além do seu período normal de trabalho que, no final de cada mês, somam umas horas, tempo este que não é contabilizado pela empresa em prejuízo dos trabalhadores”.

Critica-se ainda a “atualização salarial estagnada” e o corte de prémios. Assim, “a inflação todos anos foi comendo o salário sem que este tivesse sido melhorado em conformidade”.

Por causa disto tudo o clima é de “descontentamento” e “instabilidade”, afirmando-se o sindicato disponível “para trabalhar consensos e soluções que visem melhorar as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores e nunca para «alimentar» conflitos desnecessários onde todos ficam a perder”.