Está aqui

Apoios às artes: Plateia critica “baixíssima taxa” de financiamento das candidaturas

Os resultados do concurso de Apoio a Projetos Criação e Edição, da Direção-Geral das Artes, deixaram sem apoio cerca de 80% das candidaturas. Ficam assim excluídas “centenas de candidaturas elegíveis”, alerta a associação.
A Associação considera “imperativo que se regulamente e desenvolva a Rede Nacional de Teatros e Cine-teatros e que se financie o seu funcionamento já a partir do próximo ano".
A Associação considera “imperativo que se regulamente e desenvolva a Rede Nacional de Teatros e Cine-teatros e que se financie o seu funcionamento já a partir do próximo ano". Foto esquerda.net.

Ao todo, a Direção-Geral das Artes aceitou e analisou 506 candidaturas no âmbito do concurso de Apoio a Projetos Criação e Edição. Mas apenas 110 foram apoiadas, cerca de 20% das candidaturas.

Para a Plateia, “esta proporção revela-se gritante quando percebemos que há centenas de candidaturas elegíveis e pelo menos seis dezenas de candidaturas que têm uma pontuação superior a 80%, ou seja, são excelentes, mas não foram co-financiadas”.

E relembram que, “segundo o regulamento” da Direção-Geral das Artes, estes apoios “poderiam começar a ser implementados a partir de 1 de novembro de 2020, ou seja, há um mês. A justificação para o atraso foi a grande quantidade de projetos candidatos, em relação ao ano anterior”.

Contudo, “nem a demora nem o reforço financeiro conseguiram impedir uma baixíssima taxa de concessão de financiamento”.

Isto significa que “o orçamento desta medida, mesmo após reforço, não acompanha o crescimento do tecido artístico nem tem capacidade para responder à excelente qualidade dos projetos apresentados, tão necessários para a promoção da participação e fruição artística em todo o país”.

E alertam para a concentração preocupante de candidaturas na Área Metropolitana de Lisboa - mais de 70% -, o que consideram ser “um forte alerta para a concentração do investimento na cultura e para a falta de condições estruturais que impedem os projetos de se fixarem noutros pontos do país”.

Por isso, consideram urgente que sejam “divulgadas as alterações ao modelo de Apoio Sustentado e que estes concursos abram no primeiro trimestre do próximo ano”, de forma a que, em 2022, “a atividade das estruturas possa continuar sem percalços”.

“É fundamental dotar este apoio de um reforço financeiro significativo, de modo a acabar com o sub-financiamento das estruturas e melhorar as condições de contratação de milhares de trabalhadores”.

Paralelamente, consideram “imperativo que se regulamente e desenvolva a Rede Nacional de Teatros e Cine-teatros e que se financie o seu funcionamento já a partir do próximo ano. Este financiamento deverá somar-se, e nunca substituir o financiamento de outras linhas”.

Para além de ser necessário implementar, em 2021, o Estatuto dos Profissionais da Área da Cultura, consideram também urgente “aumentar a dotação financeira para os próximos Apoios a Projetos a abrir em 2021, para que se possa dar resposta aos projetos artísticos e aos trabalhadores que deles dependem, garantindo um maior número de projetos apoiados”.

Termos relacionados Cultura
(...)