Em fevereiro de 2022, a Rússia invadia a Ucrânia. Seguiram-se diversos pacotes de sanções pelos países ocidentais, nomeadamente pela União Europeia, e o Governo da altura suspendeu os vistos gold a russos.
Nada disto travou, contudo, o investimento dos capitalistas russos em Portugal. Antes pelo contrário. Os dados do investimento direto estrangeiro do Banco de Portugal, divulgados este domingo pelo Público, revelam que desde o início da invasão comandada por Putin o investimento russo no país aumentou 49%, tendo atingido os 450,6 milhões de euros.
O mesmo jornal diz que “não foi possível apurar como é que têm sido aplicadas estas entradas de IDE russo” mas reconhece “um dos alvo” foram as ARI, autorizações para investimento, conhecidas como visto gold.
A regra de suspensão dos vistos gold a russos já não está em vigor na Agência para a Integração, Migrações e Asilo, tendo ocorrido, segundo fonte deste organismo, no segundo semestre do ano passado, em agosto, aponta uma advogada também contactada pelo diário.
Esta, Vera Chalaça, justificou o facto pelas “derrotas em tribunal quanto ao congelamento dos vistos pedidos pelos cidadãos russos com base numa recomendação da CE que não tinha carácter vinculativo, nem se podia sobrepor nem à lei de estrangeiros nem à Constituição”. Não se conhece também o número destes casos que terão passado pela via judicial mas a advogada garante que os seus clientes “estavam longe de ser oligarcas ou colaboradores do regime e fizeram investimentos modestos”.
No ano antes da guerra, em 2021, Portugal tinha atribuído 65 vistos gold a cidadãos russos. Sobre os anos seguintes não há dados.
Recorde-se que as sanções da União Europeia se aplicam a algumas empresas ligadas ao regime de Putin e, a nível individual, a alguns oligarcas.