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Ambientalistas tentam evitar que Governo dê "última machadada no rio Tejo"

O movimento ProTejo disse ao ministro do Ambiente que os açudes e barragens previstos no Projeto Tejo vão prejudicar a biodiversidade e acentuar os efeitos das alterações climáticas. E propõe alternativas mais baratas e com menos impacto ecológico.
Foto ProTejo.

No passado dia 21 de agosto, a ministra da Agricultura anunciou para outubro a apresentação do estudo de viabilidade do Projeto Tejo, uma proposta de empresários agrícolas ribatejanos para expandir áreas de regadio através da construção de duas barragens e cinco açudes ao longo do rio, num investimento total a rondar os 10 mil milhões de euros, quase metade com dinheiros públicos.

O projeto tem vindo a ser contestado por organizações ambientalistas reunidas no movimento ProTejo, e essa oposição foi reforçada num encontro realizado na semana passada com o ministro do Ambiente Duarte Cordeiro. No encontro, os ambientalistas apelaram ao governante que evite a pretensão da ministra Maria do Céu Antunes "de dar uma última machadada no rio Tejo ao promover os novos açudes e barragens do projeto Tejo que irão ser construídos de Abrantes até Lisboa, fragmentando os últimos 127 km de rio livre de 20 em 20 km".

Para o Protejo, a construção das novas barragens e açudes terá um custo equivalente a um terço do total das verbas da "bazuca europeia", "prejudicará a biodiversidade e acentuará as alterações climáticas, não sendo necessária face à existência de soluções alternativas com menores impactos ecológicos e melhor custo-eficácia".

Essas alternativas passam pela implementação de caudais ecológicos vindos de Espanha, a captação de água diretamente do rio com armazenamento em bacias de retenção fora do rio, a reutilização e melhoria da eficiência do uso da água, a redução das perdas no seu transporte, a reflorestação e criação de corredores ecológicos de floresta autóctone e vegetação ripícola nos vales dos rios e ribeiros e a adoção de culturas que usam menos água, mais adaptadas as alterações climáticas, e de práticas de agroecologia que beneficiem a biodiversidade.

Desmontar "os mitos dos açudes e barragens do Projeto Tejo"

No final do encontro, os ambientalistas concluíram que "ainda estamos a tempo de inverter o rumo anunciado" e destacaram a "irracionalidade económica" dos projetos de construção de novas barragens e transvases no rio Ocreza e Zêzere, bem como dos novos açudes e barragens do Projeto Tejo. Com um investimento a rondar os 150 milhões de euros, argumentam, seria possível construir 30 estações de captação de água semelhantes à da EPAL em Valada do Cartaxo, o que "permite captar água diretamente do rio Tejo e armazenamento em bacias de retenção fora do rio, bem como alcançar economias de escala na distribuição dos custos de captação de água pelos agricultores beneficiários".   

Os ambientalistas tentaram também desmontar "os mitos dos açudes e barragens do Projeto Tejo", argumentando que "os aquíferos do Tejo mantêm o seu nível de 40 anos atrás, não estando em causa o seu papel de reserva estratégica de água". Por outro lado, não existem estudos sobre o impacto da intrusão salina, outro dos argumentos invocados pelos defensores do projeto. Quanto à navegabilidade do Tejo, o Protejo considera que "não pode ser garantida face à imensa captação de água pretendida" por aquele projeto.

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