O projeto da central fotovoltaica de Estoi está em consulta pública desde 19 de maio e a associação Probaal – Pró Barrocal Algarvio - está a juntar forças para aumentar a participação no processo que decorre até 20 de julho. A Probaal começa por contestar o próprio nome do projeto da Iberdrola, pois apesar de ter o nome de Estoi, onde fica a subestação das Redes Energéticas Nacionais, "propõe-se que a localização dos painéis seja junto ao Cerro do Leiria", no concelho de Tavira.
O projeto pretende instalar mais de 175 mil painéis solares numa área equivalente a 160 estádios de Futebol em plena Reserva Ecológica Nacional, "uma das áreas do Algarve mais rica em biodiversidade e zona de infiltração máxima do aquífero Peral-Moncarapacho", aponta a associação. Este aquífero consiste num complexo sistema de cavernas de calcário que ocupa uma área de 44 quilómetros quadrados e armazena água subterrânea na área que ocupa. A Probaal diz que "o erro começa logo no início", quando o ministro João Galamba fez leilões para produção de energia solar apenas no Alentejo e Algarve, "baseado no critério único da quantidade de horas e exposição solar, algo vantajoso para os produtores que, se autorizados para outros locais, iriam, é certo, para outros locais".
Os ambientalistas dizem que o projeto vai para uma área REN e RAN, "que é zona de infiltração máxima de um aquífero" e alegam que "precisamos de energia, mas precisamos, mais ainda, de água. E toda a energia do mundo, não nos vai dar a água que precisamos".
Quanto ao Estudo de Impacto Ambiental, afirmam que ele é "pródigo em ocultações e estranhas confissões" e que a rede de painéis "serpenteia vários pequenos ribeiros e cobre as suas cabeceiras", pelo que será preciso "escavar, despedregar, erradicar matos… enfim, destruir tudo aquilo que favorece a pluviosidade e permite que a água que corre para aquele vale se infiltre no aquífero Peral-Moncarapacho, o qual também carrega parcialmente o aquífero da Luz de Tavira".
Segundo a informação consultada pela agência Lusa, a Iberdrola estima que a central fotovoltaica produza uma média anual de cerca de 144 GWh (Gigawatt-hora), sendo a energia gerada coletada numa subestação própria, da qual partirá uma linha área para a subestação de Estoi. A empresa diz ainda que a configuração do projeto está adaptada às condições naturais do terreno e que os equipamentos usados possuem baixas necessidades de manutenção.
Mas os ambientalistas desconfiam e dizem que "esses painéis precisam de ser limpos com água (ou químicos tóxicos). Será que nunca viram no Algarve o efeito das poeiras do deserto?", questionam.