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Agentes culturais manifestaram-se num "drink pela Cultura" junto ao Ministério

Centenas de agentes culturais da plataforma Convergência pela Cultura manifestaram-se em Lisboa para um “drink” de copo vazio, como protesto ante a falta de respostas do governo para a crise deste setor.
Foto publicada em Convergência pela Cultura/Facebook

Realizou-se esta terça-feira, 1 de setembro, um protesto junto ao Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, onde funciona o Ministério da Cultura, que juntou centenas de agentes culturais para alertar para a falta de respostas do governo.

A iniciativa foi organizada pela plataforma cívica Convergência pela Cultura e teve como nome “Um drink pela Cultura”. A crise que este setor atravessa não tem precedentes, segundo os agentes culturais.

Em representação da plataforma Convergência pela Cultura, Alexandre Belo Morais explicou que o brinde dos trabalhadores “é de copo vazio em conformidade com o vazio de respostas concretas que o setor tem tido”, acrescentando que o que existe “é um conjunto de intenções, de planeamentos e de mapeamentos”.

O protesto juntou trabalhadores do setor onde também mostraram uma faixa com a frase “no culture, no future” e brindaram com copos vazios.

Foi apresentado ainda um comunicado público dirigido ao primeiro-ministro, com medidas para o setor fazer face à crise pandémica derivada da covid-19. A nota refere que António Costa “está muito mal informado em relação à Cultura” e acrescenta que existe “falta de seriedade, ética, e de transparência” na adoção das medidas apresentadas pelo governo.

“Na realidade não passaram de uma utopia, que fica muito bem no retrato, mas que não correspondem à realidade dura em que vivem os seus concidadãos” e “os agentes do setor da Cultura não querem esmolas nem subsídios, querem sim um setor sustentável e sustentado”, afirmam no comunicado.

Presente no protesto, Nuno Várzea, de 50 anos, trabalhador do setor da cultura há 36 anos, destacou a solidariedade dos agentes culturais, tanto no contexto da pandemia de covid-19 como nos incêndios de 2017 em Pedrógão Grande, “que fazem chegar bens essenciais, nomeadamente alimentos”.

Sem realizar espetáculos desde março devido à pandemia, este profissional da cultura tem vivido momentos “muito complicados”, porque “estas histórias dos apoios do Governo, isto não existe”, e predomina a incerteza sobre o regresso ao trabalho, ainda que tenha um marcado para outubro: “Se formos nós, mais uma vez, para confinamento, vai ficar muito mais complicado”.

Na passada sexta-feira, a ministra da Cultura, disponibilizou-se a receber a plataforma, mas o protesto manteve-se. Em declarações à Lusa, fonte da equipa de Graça Fonseca, disse que “o pedido para uma audiência chegou hoje (terça-feira) e que será agendada reunião nesse sentido”.

Há duas semanas, a plataforma Convergência pela Cultura apresentou um manifesto com dez propostas para o setor, para assim “resolver os problemas imediatos dos trabalhadores do setor”.

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