União Europeia

Afinal, os Verdes admitem apoiar von der Leyen

12 de junho 2024 - 14:12

O vice-presidente do grupo europeu a que pertencem Livre e PAN abriu a porta a juntar-se à coligação que apoia a candidata de direita à presidência da Comissão Europeia em nome de uma “maioria estável” “pró-europeia”.

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Bas Eickhout
Bas Eickhout. Foto do seu perfil no X.

Bas Eickhout, vice-presidente do grupo dos Verdes no Parlamento Europeu e um dos seus dois rostos principais nestas eleições europeias, em entrevista ao El País, admitiu que o estes podem vir a apoiar a candidata da direita, Ursula von der Leyen, para a Comissão Europeia, juntando-se assim à grande coligação entre PPE, socialistas e liberais.

O político holandês já tinha dito na noite eleitoral que o grupo europeu a que pertencem Livre e PAN teria um papel “construtivo” e “responsável”, agora esclarece que o crescimento da extrema-direita vai tornar o Parlamento Europeu “mais vulnerável” e com maiorias “algo mais instáveis”. É esse o argumento adiantado para mostrar disponibilidade para “discutir com o PPE e outros para fazer parte da coligação”, sendo uma “responsabilidade que estamos dispostos a assumir”, sublinha.

Quando questionado diretamente pela jornalista Silvia Ayuso sobre se isso significaria um voto em von der Leyen reiterou que “sim, estamos dispostos a assumir essa responsabilidade”, ressalvando que “necessitamos de ver o seu programa”, apesar do PPE ter apresentado as suas ideias já há meses, e o seu “colégio de comissários”.

A entrevistadora do El País insistiu ainda em perguntar sobre se a continuidade do Pacto Verde Europeu seria uma “linha vermelha” para este apoio, ao que o eurodeputado retorquiu que não queria falar de linhas vermelhas porque isso “soa abrupto”. Isto apesar de colocar o Pacto Verde como uma das prioridades, a parte da transparência, da liberdade de imprensa e da independência do sistema judicial.

Sobre a possibilidade de von der Leyen negociar com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, responde: “se no final Meloni lhe disser que sim no Conselho Europeu porque em troca pode conseguir um bom comissário italiano não vamos dizer a von der Leyen que não pode falar com ela”. Apesar de afirmar igualmente que “qualquer cooperação estrutural é, para nós, um não, uma impossibilidade”.

Sobre o processo negocial entre as várias forças da possível futura grande coligação europeia, adverte que os Verdes querem sentar-se à mesa: “se pensam que eles os três podem negociar qualquer coisa e que depois, no final do processo, se limitam a convidar os Verdes para colocar a sua assinatura, isso não vai funcionar”. Querem assim “estar desde o princípio envolvido no problema de como se vai configurar a Comissão”.

Confrontado com o facto do PPE ter referido que os Verdes votaram contra o Pacto Migratório para os menorizar enquanto possíveis parceiros, Eickhout responde que entende que o PPE “diga que prefere ir sem os Verdes” mas que, apesar de negociações que “vão ser duras”, são “um grande valor acrescentado” e que estes já demonstraram que “podemos chegar a compromissos”.