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Advogada iraniana condenada a 33 anos de prisão e 148 chicotadas

Nasrin Sotoudeh, ativista dos direitos humanos no Irão que tem defendido mulheres detidas por não usaram o lenço, foi condenada por “conspiração” entre outras acusações relacionadas com o seu ativismo. A Amnistia Internacional lançou uma petição a exigir a sua libertação.
Foto de hosseinronag/commons.wikimedia
Foto de hosseinronag/commons.wikimedia

A pena que foi noticiada oficialmente é diferente. O juiz Mohammad Moghiseh, do tribunal revolucionário n.º 28 de Teerão, informou a agência Isna de que teria havido uma condenação a sete anos de prisão. Mas na verdade, denunciou Reza Khandan, o seu marido, a condenação terá sido a 33 anos de prisão que se somam aos que já estava cumprir.

Nasrin Sotoudeh foi detida em junho passado e desde aí tem estado na prisão de Evin, em Teerão.

As novas acusações incluem “conspiração”, “incitamento à corrupção e prostituição", “pecar por surgir em público sem o hijab”, distúrbios da ordem pública e insultar Ali Khamenei. Segundo explicou Mahmoud Behzadi-Rad, um dos seus advogados, à agência de notícias iraniana Irna, a advogada foi condenada à revelia. Estes consideram o veredicto ilegal e apresentaram recurso.

Khandan também tinha já sido condenado em janeiro a seis anos de prisão por “conspiração contra a segurança nacional” e “propaganda contra o sistema”.

Antes, em 2010, tinha sido presa após ser condenada por propaganda e conspiração contra a segurança de Estado. Dessa feita foi libertada após três anos de uma pena de seis.

À pena de prisão da advogada somam-se ainda as 148 chicotadas. A Amnistia Internacional considerou esta condenação por um “trabalho pacífico sobre direitos humanos” como sendo “uma injustiça ultrajante” e “absolutamente chocante”. Exige-se portanto a sua libertação imediata e incondicional com a anulação da “sentença obscena”. Esta organização promove uma petição com a essa finalidade realçando que “esta é a sentença mais dura contra uma defensora dos direitos humanos no Irão em anos recentes”.

Sotoudeh, de 47 anos, ganhou notoriedade por defender em tribunal mulheres que tinham sido detidas por não usar os lenços (hijab) que são obrigatórios desde a revolução islâmica de 1979. Faz parte do Centro de Defesa dos Direitos Humanos.

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