Os trabalhadores da fábrica de papel da Soporcel, em Lavos, Figueira da Foz, começaram às 20h desta terça-feira, uma greve que pode durar oito dias. Num plenário realizado na segunda-feira, os trabalhadores decidiram manter os pré-avisos de greve para dois períodos de paralisação de quatro dias, o primeiro que começou esta terça-feira e decorre até as 24h de 31 de maio, e o segundo a começar às 0h de 2 de junho, até as 24h de 5 de junho.
Segundo José Pinto, membro das comissões sindical e de trabalhadores da empresa, a adesão à greve é de cerca de 90% dos 683 trabalhadores da empresa.
Os trabalhadores protestam contra as alterações ao seu fundo de pensões que, de acordo com fonte sindical, passará do sistema atual, intitulado de "benefício definido" – a empresa contribui com 8% do salário dos trabalhadores e garante o capital do fundo – para um sistema de "contribuições definidas", em que a participação da empresa baixa para os 4% (podendo os colaboradores, voluntariamente, contribuir com a percentagem que quiserem) mas o capital existente no fundo passa a depender das flutuações do mercado e outros aspetos.
Os trabalhadores alegam que com as novas regras vão ter um prejuízo de 40 a 60% nas suas pensões.
Segundo maior exportador nacional
O coordenador da União de Sindicatos de Coimbra, António Moreira, destacou segunda-feira à agência Lusa a “sistemática recusa” da administração da empresa, que integra o grupo Portucel Soporcel, segundo maior exportador nacional em 2013, a discutir com os representantes dos trabalhadores um caderno reivindicativo para 2014 apresentado em março e questões de relação laboral.
As instalações estão seladas "de acordo com a direção fabril", para impedir a entrada de matéria-prima e/ou a saída de produto acabado, disse à agência Lusa. Mas há algum equipamento que se mantém em funcionamento, como por exemplo uma caldeira, pois a sua paralisação danificá-lo-ia, sublinhou.
A GNR deslocou ao início da manhã para a empresa alguns elementos, provavelmente por solicitação da empresa, acrescentou José Pinto, sublinhando que esta força policial se tem limitado a manter no local sem fazer “qualquer intervenção”.
A unidade industrial da Soporcel em Lavos, que integra o grupo Portucel Soporcel, segundo maior exportador nacional em 2013, entrou em funcionamento em 1984 e desde essa data não havia registo da realização de nenhuma greve dos trabalhadores.