Acordo PS/PSD “serviu a agenda de Cavaco Silva”

31 de outubro 2010 - 22:34

Francisco Louçã afirmou que o acordo é “uma receita contra as pessoas, contra o emprego, contra o desenvolvimento, contra a democracia com responsabilidade” e que “serviu milimetricamente a agenda da campanha presidencial de Cavaco Silva”.

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Negociações PS/PSD, 24 de Outubro de 2010 - Foto de José Sena Goulão/Lusa

O Bloco de Esquerda inaugurou neste domingo uma sede em Alcanena e realizou um almoço na Chamusca, que juntou mais de 120 pessoas.

Nesta acção, Francisco Louçã falou sobre a actual situação política, tendo considerado que a negociação do Orçamento de Estado para 2011, foi uma “enorme encenação de uma semana de encontros e desencontros, de amuos e de namoro”, que “serviu milimetricamente a agenda da campanha presidencial de Cavaco Silva”.

Sublinhando que “toda a cronologia foi subordinada pelo emissário de Cavaco Silva nas negociações, o doutor Catroga”, o coordenador da comissão política do Bloco considerou que o acordo foi “assinado à socapa porque [PS e PSD] têm vergonha do acordo que fizeram”, lembrando ainda que o “acordo já provocou um novo buraco de 500 milhões”, sem que PS e PSD esclareçam “como resolvem o problema”.

Francisco Louçã criticou também a declaração do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, de que os brutais cortes orçamentais são necessários porque “o país não pode viver acima das suas possibilidades”. “Quem vive acima das nossas possibilidades são os governos que compram mil milhões de euros em submarinos” disse Louçã, afirmando que “o Governo que está disposto a vender a sede da Caixa Geral de Depósitos para pôr 4.500 milhões de euros no buraco do BPN - aquele banco dos barões sociais-democratas que foi afundado miseravelmente - a Portugal Telecom, que fez o 11.º negócio da economia de todo o mundo e não quer pagar um cêntimo de imposto e a banca comercial que se atreve a dizer ao País com orgulho que paga menos de cinco por cento de IRC”.

Francisco Louçã denunciou ainda as ligações entre o poder político e o poder económico: “Percebemos a força enorme de uma embaixada de Faria de Oliveira, Carlos Santos Ferreira, com Fernando Ulrich e Ricardo Espírito Santo Salgado, esses quatro cavaleiros que andaram a bater à porta do Governo e depois do PSD para assegurar o resultado que agora podem festejar”.

O coordenador da comissão política do Bloco lembrou, como exemplo, que alguns dos dirigentes do PSD têm ligações ao grupo José de Mello, casos de Eduardo Catroga, administrador da Nutrinveste e da Cimpor, e de Nogueira Leite, administrador da Brisa, e acusou: “Estes negociantes, estes especuladores, este partido da crise quer que haja mil milhões de euros para pagar às concessões rodoviárias. Pois não é Nogueira Leite administrador da Brisa?”.