Pelo menos 580 acusados de violência doméstica e familiar contra mulheres foram detidos numa grande operação no estado de São Paulo, o mais populoso do Brasil, numa altura em que se registou um pico de femicídios. A ação, iniciada na noite de segunda-feira, mobilizou cerca de 1.800 agentes para cumprir 1.400 mandados de prisão emitidos pela justiça em vários municípios paulistas, informou a Secretaria de Políticas para as Mulheres de São Paulo.
Centenas de homens acusados de violência contra mulheres foram detidos pelas autoridades numa megaoperação iniciada na noite desta segunda-feira e ainda em andamento, que mobilizou cerca de 1.700 agentes para cumprir 1.400 mandados de prisão expedidos pela justiça em vários municípios do estado, segundo comunicado da Secretaria de Políticas para as Mulheres de São Paulo.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que quatro mulheres foram assassinadas por dia no país, elevando para 1.492 o número de vítimas por motivos de género em 2024 (17 a mais do que em 2023), e a maioria foi cometida pelos seus parceiros ou ex-parceiros. Embora as penas tenham sido endurecidas, a violência contra as mulheres continua a aumentar. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número pode ser maior devido aos casos que são subnotificados ou classificados como homicídios.
Entre janeiro e novembro deste ano, foram registados 233 femicídios em todo o estado de São Paulo, o número mais alto desde que, em 2018, começou a ser contabilizado caso a caso, de acordo com dados oficiais citados pelo jornal Folha de São Paulo.
A iniciativa visa ampliar a visibilidade das políticas públicas para as mulheres e fortalecer a rede de proteção e autonomia de gênero. Entre janeiro e outubro deste ano, os 207 femicídios em São Paulo representaram um aumento de 6% em relação ao mesmo período de 2024 e o maior número desde 2015, quando o país promulgou a chamada Lei do Femicídio para incorporar esse crime no Código Penal, diferenciando-o do homicídio comum.
O Fórum também aponta que outras 3.870 mulheres foram alvo de tentativas de homicídio pelo facto de serem mulheres — um aumento de 19% em relação ao ano anterior — e que cerca de 56.900 sofreram violência psicológica (+6,3%).
Juraima Almeida é investigadora brasileira, analista associada ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica Artigo publicado no site do CLAE