As agências humanitárias da Organização das Nações Unidas juntaram-se para analisar a situação de segurança alimentar das regiões da África Ocidental e Central e o resultado, divulgado esta terça-feira, é mais do que preocupante: na próxima época de escassez, entre junho e agosto, haverá 48 milhões de pessoas que não conseguirão ter acesso regular a alimentação segura e nutritiva.
As contas do Programa Mundial da Alimentação, da Organização para a Alimentação e Agricultura, da Agência para as crianças, a Unicef, e da OCHA, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, apontam para um número máximo de insegurança alimentar numa década nesta zona.
Os fatores que conduzem a esta situação são vários, desde os conflitos regionais, a crise climática, a Covid-19 e a inflação e a falta de alguns bens alimentares e fertilizantes. A região é altamente dependente de importações, o que a torna muito vulnerável ao aumento da inflação.
Uma das zonas que causa mais preocupação é a região semi-árida do Sahel que inclui o Mali e o Burkina Faso e onde as ações armadas do auto-denominado “Estado Islâmico” e da “AlQaeda do Magrebe Islâmico” têm causado uma catástrofe humanitária com perto de 2,5 milhões de pessoas deslocadas. Aí, 45.000 sofrerão carência alimentar catastrófica, de acordo com aquelas instituições. Menos severas mas muito preocupantes serão as consequências dos conflitos à volta do Lago Chade e na República Central Africana.
As projeções sobre o que se passará em breve implicam ainda que perto de 16,5 milhões de crianças com menos de cinco anos sofrerão mal-nutrição grave durante este ano em toda a região.
Dada esta situação, Robert Guei, coordenador sub-regional da FAO para a África Ocidental, declara que é “tempo para agir de forma a aumentar a produção agrícola e alcançar soberania alimentar na nossa região”.